AutoData - A visão Deloitte do mundo da mobilidade
news
21/09/2015

A visão Deloitte do mundo da mobilidade

Por Vicente Alessi, filho

- 21/09/2015

Encontros do pessoal da consultoria Deloitte especialista no setor automotivo com jornalistas sempre traz boas histórias e dois tipos de notícias, como ocorreu na tarde da terça-feira, 18, com a presença de Joe Vitale, sócio líder global da empresa para o setor. A notícia menos inesperada é que o modelo de resgate que o País adota para o seu mercado de veículos é do tipo europeu, mais lento. Já a notícia mais instigante é que o futuro da mobilidade reserva o paradoxo da dicotomia: posse ou uso de veículos?, veículos como os conhecemos ou autônomos?

No caso da recuperação das vendas no mercado brasileiro Vitale a vê à la européia, que roda passo a passo, ajuste após ajuste, circunstância depois de circunstância, o que implica mais tempo:

“Os gráficos mostram as inflexões das reações do mercado ano a ano. Nos Estados Unidos as decisões depois da crise de 2008 foram mais rápidas: aconteceram as dores iniciais e de percurso mas a ação sobre o andamento do processo era voltar a crescer, como está acontecendo, e com outra atitude fundamental, que foi a adoção de um novo modelo de negócios, mais contábil e menos financeiro. A curva europeia, assim com a brasileira, não mostram picos e vales, são mais homogêneas. E exatamente por isto bem mais lentas”.

Vitale coloca nesse balaio de recuperações a óbvia fase pela qual passam a indústria de veículos e a de componentes, com reflexos sobre os concessionários, de uniões de empresas visando a objetivos específicos e, mesmo, novas aquisições e vendas de interesses.

Ele acredita, assim como Maurício Muramoto, diretor da Deloitte e conselheiro do Sindipeças, que a retomada do mercado brasileiro de vendas de veículos será registrada em algum instante de meados do ano que vem, pouco menos pouco mais, quando a linha do gráfico passar a subir, mesmo que devagar, até alcançar aquelas 3,8 milhões de 2012 bem depois de 2020 – quem sabe três, quatro anos depois. O presidente da Anfavea, Luiz Moan, também acredita nisso.

Mas o instigante da apresentação de Vitale é o resultado dos estudos das megatendências que o setor apresenta hoje, em todo o mundo, e naquelas em que está inserido. Como hiperurbanização, softwares e as tecnologias de conectividade, a convergência de interesses públicos e privados, os novos padrões para a economia de combustíveis, modularidades, materiais avançados, a globalização. E a visão de babyboomers e das gerações X e Y a respeito das suas necessidades por mobilidade.

E daí, quem sabe, virá mais uma grande transformação, de acordo com aquelas megatendências: muitas pessoas optarem por não ter a propriedade de um carro e por chamar um veículo autônomo sempre que precisarem, com todas as vantagens inerentes. Mas sempre haverá donos de carros e uma indústria que se reinventa com lucratividade.


Whatsapp Logo