AutoData - Vem aí série de medidas do governo para o setor automotivo
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21/09/2015

Vem aí série de medidas do governo para o setor automotivo

Por Marcos Rozen

- 21/09/2015

Demorou, mas finalmente o governo federal reagiu à queda de produção e vendas do setor automotivo. Contrariando uma visão que reinava em Brasília, DF, desde o início do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, em janeiro, comandada pelo Ministério da Fazenda – para quem o mercado deve andar com as próprias pernas, sem incentivos –, diversas ações orquestradas nas últimas semanas serão anunciadas nesta segunda quinzena de agosto e primeira semana de setembro como forma de tentar aliviar o cenário de retração e, principalmente, de demissões, que afetam a confiança do consumidor e consequentemente acabam por derrubar ainda mais os números de comercialização.

Não se espera, entretanto, uma medida de fortíssimo e único impacto como a ocorrida há alguns anos, quando o IPI para veículos leves foi reduzido, o que ocasionou redução nos preços finais ao consumidor. A Fazenda não quer nem ouvir falar em desoneração, mas ao menos admitiu que outras formas de incentivar o mercado precisam ser colocadas em prática e liberou os bancos oficiais, como a Caixa e o Banco do Brasil, para fazê-lo.

O entendimento atual do governo é que um conjunto de medidas menores pode, no todo, ajudar o setor automotivo, em lugar de apenas uma, realizada de forma isolada. Espera-se que esta série de iniciativas específicas ao menos estanque a queda dos índices e ajude a recuperar a confiança tanto dos empresários, no caso dos veículos comerciais, quanto dos consumidores, para os leves.

Duas delas já são conhecidas: a entrada da Anfir no programa Mais Alimentos, que possibilitará aos empresários do agronegócio, em especial aqueles de menor porte, adquirir implementos rodoviários em condições de financiamento muito mais vantajosas do que as atuais via BNDES, e ação da Caixa, voltada principalmente ao financiamento à cadeia produtiva de veículos. Ambas foram reveladas na terça-feira, 18, sendo que a do banco federal contou com a presença dos presidentes da Anfavea, Luiz Moan, da Fenabrave, Alarico Assumpção Jr., e do Sindipeças, Paulo Butori.

Na quarta-feira, 19, os três se encontram novamente para o anúncio de outras linhas de crédito especiais e dedicadas ao setor automotivo, desta vez via Banco do Brasil, em São Paulo. Fontes asseguram que estas serão mais abrangentes que as da Caixa.

Também de acordo com fonte ligada diretamente às negociações junto ao governo federal ouvida pela Agência AutoData pelo menos mais duas medidas serão anunciadas nos dias seguintes: uma na última semana do mês e outra na primeira semana de setembro. Uma delas deverá ser a oficialização do acordo automotivo com a Colômbia, que poderá acrescentar algo como cerca de dez mil unidades ao ano à produção nacional de veículos – o que se não é grande coisa, pois este é volume que se comercializa em apenas um dia no País atualmente, é melhor do que nada e pode render frutos mais interessantes no médio e longo prazo.

O PPE, Programa de Proteção ao Emprego, anunciado recentemente, foi uma espécie de abre-alas de conjunto de iniciativas menores. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC três fabricantes de autopeças da região aderiram ao plano por enquanto, o que representa cerca de 1 mil metalúrgicos no total. A expectativa do sindicato é a de a Mercedes-Benz também aceitar a proposta – seria a primeira montadora a fazê-lo.

Certo é que representantes das associações ligadas ao setor automotivo, em especial a Anfavea, há muito não viajavam a Brasília, DF, com tamanha frequência: nos últimos dois meses, pelo menos, os encontros têm sido no mínimo semanais. A esperança destes é que estas reuniões de fato desemboquem em cenário um pouco mais animador para a indústria automotiva até o fim do ano, preparando terreno para resultados melhores em 2016.


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