Agência AutoData conheceu a LeapPower, complexo da Leapmotor que produz milhares de componentes essenciais para os carros do futuro e ainda tem muito espaço para crescer
Huzhou, China – A Leapmotor, em seu segundo ano de parceria com a Stellantis, elevou suas vendas de 297,7 mil para 596,5 mil unidades em 2025, aumento de 103% sobre o ano anterior. Em apenas seis anos partiu de 1 mil veículos para 1,2 milhão de unidades vendidas e a expectativa é continuar crescendo rapidamente com a ampliação do seu portfólio na China e em outras regiões como Europa e Brasil. É apenas o início de uma história que completou uma década em 2025 com potencial de escalar rapidamente os volumes e superar, como já vem ocorrendo, mais de 50% de crescimento global nos próximos anos.
A estrutura para este desenvolvimento na velocidade dos trens bala chineses já está pronta. Uma das peças mais importantes desta engrenagem, é a LeapPower, um gigantesco complexo em Hunzhou, a 90 minutos da sede da Leapmotor em Hangzhou, que a Agência AutoData visitou. Ele é responsável por produzir todos os componentes dos motores elétricos, chips, compressores, bombas de calor e de óleo e fontes de alimentação dos sistemas eletrônicos.
Além de toda a tecnologia empregada na produção com algumas linhas com 90% de automação, chamou a atenção que estes enormes galpões ainda têm espaço para crescer, multiplicando exponencialmente suas atividades nos próximos anos.
Alto índice de automação da produção
A Leapmotor tem sob seu controle 65% do custo de produção dos seus veículos, um dos mais altos índices de verticalização da indústria chinesa, de acordo com Alan Li, responsável pela estratégia e planejamento de produto na China: “Projetamos, validamos e fabricamos todos os principais componentes e sistemas essenciais para os veículos eletrificados”.
Li contou que desta forma há um controle mais acurado dos custos e também da eficiência dos produtos o que permite uma “resposta rápida às variações e necessidades dos mercados globais”.
O plano de dominar todas as etapas de desenvolvimento, controle de qualidade e produção em casa tem como foco seis sistemas considerados essenciais: a arquitetura física do veículo e seu correspondente voltado à eletrificação, a bateria, o componente mais caro, segundo Li, os sistemas ADAS e sua evolução para a condução autônoma, o cockpit inteligente e o EDM, que é o módulo de acionamento elétrico.
Desde 2019 a Leapmotor vem lançando novas arquiteturas, e adotando tecnologias como o REEV, o extensor de autonomia que utiliza um motor a combustão interna para abastecer a bateria que alimenta o motor elétrico, dentre outras inovações. Atualmente a plataforma utilizada pela maioria dos produtos, como os da série B e C é a Leap 3.5.
Este ano alguns produtos passam a utilizar a nova plataforma D, que terá várias inovações, como o que tem sido considerado um revolucionário cérebro central do veículo baseado em inteligência artificial. A Leapmotor vai utilizar um único sistema com apenas dois chips da Qualcomm que integrará o controle do cockpit e dos sistemas de direção e navegação com recursos de IA.
Seu novo sistema REEV terá uma bateria de 80,3 kWh, a maior capacidade para veículos híbridos, segundo a Leapmotor, com autonomia de 500 quilômetros. Poderá receber até 800 volts de carga, reduzindo para alguns segundos seu carregamento, segundo a fabricante. O sistema de propulsão elétrico é de 400 kW com o motor a gasolina 1.5 turbo de alta eficiência dedicado ao fornecimento de energia.
Para os modelos 100% elétricos a bateria de 115 kWh permitirá uma autonomia de 720 quilômetros e seu sistema de carregamento de 1 mil volts será o benchmark do segmento, em velocidade e eficiência, ainda segundo a Leapmotor.
A plataforma D também será um exemplo de eficiência dinâmica e de segurança: seu conceito CTC, cell-to-chassis, integra a bateria na estrutura da carroceria, aumentando a rigidez torcional, um dos grandes desafios dos projetos de eletrificação aplicados a carrocerias tradicionais. Especialmente para os SUVs grandes, bastante procurados pelo consumidor chinês, serão mais robustos e esportivos, de acordo com a Leapmotor.
Ainda há muito espaço livre, nas fábricas, para ampliar a produção
Automação e espaço para ampliar a produção
Em Huzhou a fábrica de componentes com quatro linhas para a produção de compressores de bomba de calor, fontes de alimentação on-board e bombas de óleo tem 69 mil m2 e capacidade instalada para 150 mil conjuntos ao ano. São pouquíssimos profissionais posicionados nas estações, que ocupam um quarto do espaço do galpão.
A fábrica de motores elétricos tem menos gente porque o índice de automação da produção é de 60%. Em 78 mil m2 estão distribuídas três linhas de fabricação de extratores, três de rotores, três de controladores do sistema de tração elétrica e quatro linhas de montagem final dos sistemas e-drive. A capacidade instalada anual é de 10 mil desses sistemas mas o prédio também está pouco ocupado.
Pouquíssimas pessoas circulam pelos imensos espaços
Não houve tempo para conhecer a maior e mais tecnológica fábrica do complexo, a de chips. Com 81 mil m2 tem doze linhas de produção de SMT, placas eletrônicas de controle para todos os veículos da Leapmotor. Ali circulam pouquíssimas pessoas, geralmente os responsáveis pelo gerenciamento e manutenção das máquinas. O índice de automação é de 90% para a produção de 50 mil unidades/ano.
O primeiro modelo a utilizar a nova plataforma D é o D19, que será exibido esta semana no Salão de Pequim.