A crise de confiança instalada no País será fator determinante para que a economia se mantenha, em 2016, em situação semelhante à atual. O entendimento é de Eduardo Souza, gerente de produto tratores da AGCO, em palestra no Fórum Automotivo Regional do Rio Grande do Sul, realizado pela AutoData Editora na quarta-feira, 9, em Caxias do Sul.
Para o executivo, em tratores os números devem se manter, mas em colheitadeiras a tendência é de declínio. Os segmentos canavieiro e florestal mostram capacidade para uma reação tímida.
Souza, no entanto, acredita que a crise pode criar oportunidades para o Brasil participar mais ativamente do mercado mundial. Citou o caso da AGCO, que está desenvolvendo plataformas globais para seus produtos. Segundo ele, a estratégia pode criar oportunidades de exportação para os fornecedores e ganhos de espaço na cadeia de suprimentos. Mas para alcançar os resultados é preciso adequação às demandas globais, competitividade sustentável e estar preparado para a retomada do mercado brasileiro. “Em algum momento a reação virá.”
O palestrante destacou que, atualmente, o índice de nacionalização dos produtos da marca é de 80%. Com plataformas globais deverá cair para 65%, criando oportunidades aos fornecedores.
Dentre as razões para o incremento da mecanização no campo citou o crescimento da população e migração para os centros urbanos, a escassez de mão de obra na zona rural, a demanda por alimentos e bioenergia, maior uso de fertilizantes e defensivos por meio de máquinas específicas e necessidade de renovação da frota, que tem 60% dos tratores e colheitadeiras com mais de 10 anos de uso.
Apesar dos problemas de mercado, a AGCO manteve por meio de suas duas principais marcas – Massey Ferguson e Valtra – participação de 45% no Brasil e 42% na América do Sul. No entanto, perdeu representação no faturamento global: de 17%, em 2014, para 14% até setembro de 2015. No ano passado o grupo faturou US$ 9,7 bilhões e, até setembro passado, US$ 5,5 bilhões.
Neste ano a montadora priorizou investimentos de R$ 18 milhões na expansão da GSI, de silos para armazenagem, e de R$ 35 milhões em novo laboratório para controle de emissões em Mogi das Cruzes, SP. A rede é formada por 685 concessionárias, sendo 399 no Brasil, 105 na Argentina e 190 em outros países.
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