A forte retração no mercado interno e a desvalorização do real estão consolidando novos patamares de exportação para as indústrias automotivas de Caxias do Sul. De acordo com o Simecs, Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico, de janeiro a outubro, as vendas externas somaram R$ 1 bilhão 954 milhões, em alta de 19% sobre igual período do ano passado.
A participação na receita total, que fora de 11%, subiu para 17,5% em 2015. Os indicadores foram pormenorizados no Fórum Automotivo Regional do Rio Grande do Sul, realizado por AutoData Editora nesta quarta-feira, 9, em Caxias do Sul.
Na avaliação de Getulio Fonseca, presidente da associação, há mercados potenciais que precisam ser mais bem trabalhados pelo setor. Visando mostrar estas oportunidades, o Simecs tem realizado missões empresariais, principalmente para o continente africano. “Tem países crescendo mais de 6% ao ano e precisando de tudo”.
Exemplificou com Quênia, país onde 16 empresas de Caxias do Sul fecharam contrato com lote inicial de US$ 40 milhões, com recursos do BNDES.
De acordo com Alexandre Gazzi, da Randon, a empresa nunca abandonou o mercado externo, que se concentra, no segmento de veículos rebocados, em países da América do Sul e África, tradicionalmente de moeda fraca, o que torna mais difícil a conquista de mercados em função da forte concorrência de outros produtores, em especial chineses. A Randon tem como uma de sua estratégias a adoção de parcerias em alguns países para a montagem dos implementos. De acordo com seu relatório financeiro, nos primeiros nove meses, o segmento de veículos exportou o equivalente a US$ 46,5 milhões, declínio de 15%.
Paulo Corso, da Marcopolo, observa que a empresa sempre manteve atendimento aos mercados tradicionais da América Latina e África. Na situação atual, segundo ele, percebeu-se que era possível fazer mais e passou a investir em países em que já esteve no passado, como no Oriente Médio, e abertura de novos. “O produto chinês ficou mais caro, a variação cambial nos favoreceu e a qualidade do produto brasileiro é melhor”.
Nos nove meses deste ano, a empresa exportou 1 mil 276 unidades, alta de 6% na comparação com igual período de 2014. O volume correspondeu a 15% das vendas totais, alta de seis pontos porcentuais.
João Herrmann assinalou que a MAN tem na Argentina seu principal mercado no Exterior, mas que apresentou recuo nos últimos anos. Observou que as vendas externas já foram melhores em épocas com o real valorizado. Destacou que exportações exigem, antes de qualquer ação, projeto consistente de longo prazo.
Edson Martins, diretor de suprimentos e vendas da Agrale – que está presente em mais de trinta países, com 62 postos de venda – salienta que as exportações são alternativa para as empresas melhorarem seus resultados, mas adverte que não é tarefa simples, que esteja relacionada exclusivamente com a variação cambial.
“Um negócio pode levar até dois anos para ser concretizado. É trabalho árduo a ser feito, mas que ajuda a manter o navio flutuando”.
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