Não é ainda o melhor dos mundos, e está bem longe de ser, mas a indústria automobilística brasileira, que pena com o mercado interno decliante, tem encontrado algum alento nas exportações. Nos primeiros cinco meses de 2016 fabricantes de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus embarcaram 183,2 mil veículos, 21,8% a mais do que registraram em igual período do ano passado.
Só em maio foram exportados 46,9 mil veículos, 23,9% a mais do que no mês anterior e 15% acima do resultado obtido em maio de 2015. Antônio Megale, presidente da Anfavea, justifica a curva ascendente dois embarques com o câmbio favorável e o movimento contínuo de esforços individuais das empresas associadas em busca de oportunidades de negócios fora do País.
Essa conjunção de fatores fez com que a entidade revisse suas projeções de exportações para 2016. Se em janeiro a entidade estimava aumento da ordem de 8% nos embarques de automóveis, caminhões e ônibus, que chegaram a 417 mil no ano passado, agora o cálculo é de que ao menos 507 mil veículos sigam para outros mercados este ano, ou 21,5% a mais do que em 2015.
Desse meio milhão, perto de 478 mil serão automóveis e comerciais leves, 23% a mais. A entidade calcula que os fabricantes de veículos pesados, produtos mais dependentes de vendas técnicas, devem exportar cerca de 28,6 mil caminhões e ônibus, ligeira evolução anual de 1%. Contraponto são máquinas agrícolas e rodoviárias, cuja previsão é de recuo dos embaruqes da ordem de 18,6% em 2016, ou 8,2 mil unidades negociadas lá fora contra as 10,21 mil de 2015.
Ainda que em unidades a expectativa seja de elevação, com os embarques de produtos de maior valor agregado não crescendo significativamente, caso dos de caminhões e ônibus, ou encolhendo bastante, como os de máquinas autopropulsoras, a Anfavea já considera que o resultado final em valores pode ser inferior ao do ano passado. A entidade aponta faturamento da de US$ 10,4 bilhões em 2016, US$ 100 milhões a menos do que em 2015. É preciso considerar, enfatiza Megale, que a desvalorização do real ao longo dos últimos meses mudou os resultados em dólar.
Principal canal de exportação dos veículos brasileiro, o acordo com a Argentina se encerrará no fim deste mês. Uma importante rodada de negociações entre os governos dos dois países, além da participação da iniciativa privada, acontecerá nos próximos dias 9 e 10 em Buenos Aires. O presidente da Anfavea acredita que não haverá dificuldades para um acordo que, pelos menos, garanta a continuidade do fluxo de negócios entre os dois países. “ Isso é mais importante neste momento.”
Mão de obra – Outra boa notícia das exportações em ascensão em 2016 é que os embarques refletirão também no quadro de na mão de obra do setor. O presidente da Anfavea revelou que ao menos três associadas da entidade já informaram que pretendem contratar em função de programas de exportação já acertados para os próximos meses.
É uma boa notícia diante da anunciada disposição de algumas empresas de não renovarem acordos de lay-off e PPE em vigor, que ainda envolvem ao menos 27 mil trabalhadores – 6 mil em lay off e 21 mil enquadrados no programa de proteção de empregos.
As fabricantes associadas da Anfavea encerraram maio com 128 mil empregados – um mês antes tinham 129,3 mil. Em maio do ano passado o contingente de funcionários era bem maior: 138,2 mil pessoas. “Apesar desse encolhimento, temos hoje um quadro de funcionários equivalente ao de 2010 para uma produção semelhante a de 2004!”, afirmou Megale.
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