Representantes da Anfavea e do Sindipeças terão reunião no MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, na quarta-feira, 20, para discutir o novo pacote de incentivos aprovado pelo Congresso da Argentina para incentivar as montadoras lá instaladas a comprar peças e componentes produzidos naquele país.
A informação é do conselheiro do Sindipeças, Flávio Del Soldato, que antecipa que no encontro serão analisados eventuais impactos do novo programa argentino para a indústria brasileira. “É tudo muito novo. Vamos ter de avaliar o programa já aprovado pelo congresso, mas ainda não publicado, com maior profundidade”, comenta Del Soldato. A reunião será com a área técnica e terá a participação de Margarete Gandini, diretora do departamento de indústrias para a mobilidade e logística da pasta.
O parlamento argentino aprovou na quarta-feira, 13, cortes nos impostos que variam de 4% a 15% para quem ampliar o conteúdo local. O mínimo exigido atualmente é de 30% para os automóveis e 25% para caminhões e ônibus.
O programa envolve o direito a um valor de crédito tributário proporcional ao aumento das compras locais. Para atingir o máximo de 15% a fabricante de automóvel instalada na Argentina terá de ter 50% de índice de localização.
O novo programa argentino tem alguma similaridade com o Inovar-Auto brasileiro, que chegou a ser questionado pela OMC, Organização Mundial do Comércio. Os analistas avaliarão também se o novo programa argentino está ou não de acordo com as normas da OMC ou do Mercosul.
O diretor adjunto de relações públicas e governamentais da Toyota do Brasil, Ricardo Bastos, diz não ter detalhes do programa argentino: “Sabemos que são incentivos para atrair novos investimentos para lá, uma preocupação existente naquele país já há algum tempo”.
A própria Toyota já vem investindo em localização de peças no país vizinho: “Transferimos nossa linha de eixos da Hilux, que ficava em São Bernardo do Campo, para a fábrica de Zárate, onde a picape é produzida. Temos uma boa base lá, mas o Brasil ainda é o maior fornecedor de peças”.
A Argentina, efetivamente, não tem uma indústria de autopeças estruturada como a brasileira. Até porque muitas empresas que foram para lá acabaram abandonando o País em virtude de seguidas crises econômicas. No ano passado, por exemplo, as exportações da indústria de autopeças brasileira para a Argentina atingiram US$ 4,26 bilhões, enquanto as importações ficaram em US$ 833 milhões.
A Anfavea confirma a reunião no MDIC na quarta-feira, 20, mas não detalha a pauta do encontro. Segundo a entidade, esses encontros têm sido frequentes e visam debater a conjuntura do setor. Como a Argentina está na pauta do dia a entidade admite que o tema deva entrar em discussão.
Acordo bilateral – O pacote de incentivos às montadoras argentinas foi aprovado menos de um mês depois de Brasil e Argentina renovarem acordo automotivo até junho de 2020 e que visa ainda o livre comércio entre os dois países após essa data.
Pelo acordo, a relação entre o valor das importações e exportações – conhecida como flex – não deverá superar 1,5 no período de 1º de julho de 2015 a 30 de junho de 2019. Para cada US$ 1,5 exportado do Brasil para Argentina, US$ 1 deve ser importado.
Nos últimos doze meses, de 1º de julho de 2019 a 30 de junho de 2020, o flex subirá para 1,7, com prévio acordo entre os países e desde que alcançadas as condições para o aprofundamento da integração produtiva e o desenvolvimento equilibrado de estruturas produtivas e de comércio.
O acerto foi elogiado pela Anfavea e também pelos fabricantes que possuem plantas nos dois países. Para o presidente da Anfavea, Antonio Megale, o mais importante é a questão da previsibilidade, que garante melhor planejamento e mais segurança para a definição de investimentos.
Notícias Relacionadas
Últimas notícias