A indústria de implementos rodoviários já tem como certo que amargará mais um ano de baixa, forte baixa. Projeção ainda mais amarga: já considera que 2016 pode ser o pior ano da história do setor em termos de vendas internas desde 1998, quando os registros passaram a ser mais confiáveis.
Alcides Braga, presidente da Anfir, Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários, revelou esse quadro durante o Workshop Tendências Setoriais Caminhões, nesta terça-feira, 26, em São Paulo, após balanço do primeiro semestre, quando os emplacamentos somaram somente 31,8 mil implementos, 30,6% a menos do que em igual período do ano anterior.
O presidente da entidade estima que o mercado interno deve encerrar o ano com 69,3 mil unidades, 21,5% do resultado do ano passado. O segmento de implementos pesados – reboque e semirreboques – deve superar ligeiramente as 25 mil unidades, recuando 15,3% frente a 2015, enquanto o de leves, as chamadas carrocerias sobre chassi, somarão algo como 44,2 mil, 25,6% abaixo.
“E isso é muito mais preocupante, pois os leves estão atrelados à economia real, ao dia a dia das pequenas entregas, dos pequenos negócios”, recorda Braga, que destaca que normalmente é um segmento tem tropeços bem menores do que os pesados.
O quadro até junho foi ainda pior. No semestre o segmento de leves encolheu 38%, para 19,2 mil unidades. Reboques e semirreboques – sofreu também, mas bem menos. Pelo menos em unidades negociadas. Com vendas de 12,6 mil implementos, a queda esbarrou nos14%.
A Anfir espera alguma melhora no ano que vem, mas algo mais perceptível somente mesmo a partir de 2018. Mas nem diante da manifestação de alguns fabricantes de caminhões de que consideram vendas internas até dois dígitos maiores em 2017 animam o presidente da entidade:
“Já chegamos, é verdade, ao ponto de inflexão da curva, paramos de cair. Mas o transportador não troca de implemento a cada três anos como acontece com os caminhões, e sim bem depois. Portanto, uma reação no nosso setor demoraria um pouco mais.”
O presidente da Anfir torce por melhora gradual ao longo dos próximos anos, o que, na sua avaliação, evitaria novos atropelos para uma indústria que já sofreu com os seguidos e grandes tombos dos últimos três anos.
Se em 2011 o setor, que tem capacidade instalada para 215 mil implementos, reunia perto de 70 mil trabalhadores, eles agora não passam de 40 mil. “Naturalmente haverá uma depuração, mas as empresas que ultrapassarem a arrebentação estarão mais bem preparadas”, diz Braga, que representa 143 empresas associadas.
Em 2011 a indústria de implementos registrou seu melhor ano: vendeu 190 mil equipamentos no Brasil – 131 mil leves e 59 mil reboques e semirreboques. Voltar a esses números não está nas expectativas de Braga: “Aquele foi um mercado gerado pelo canto da sereia do PSI-Finame.”
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