AutoData - Novas regras, exportações e varejo dominarão o setor em 2017
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07/11/2016

Novas regras, exportações e varejo dominarão o setor em 2017

Por Michele Loureiro

- 07/11/2016

O ano de 2016 entra na sua reta final e a indústria já tenta prever quais serão os avanços do setor automotivo em 2017. Apesar de ser difícil estimar números em um cenário ainda incerto, Vitor Klizas, presidente da Jato Dynamics, consultoria especializada na indústria automotiva, acredita que já é possível estabelecer qual será a agenda do setor no próximo ano. Para ele, as discussões sobre os termos do que virá após o Inovar-Auto, a prospecção de novos mercados internacionais para ampliar as exportações de veículos e a atualização das estratégias de varejo devem permear durante os próximos meses. Confira a entrevista concedida com exclusividade para a AutoData.

Qual deve ser a principal agenda do setor em 2017?
Os principais itens a serem discutidos em 2017 devem ser os termos de uma legislação após do Inovar-Auto, a prospecção do mercado internacional para exportação de produtos brasileiros e a atualização das ferramentas de varejo para monitorar as ações de vendas de veículos. Tudo isso é vital para a indústria neste momento. Em um mercado extremamente competitivo, as necessidades mais urgentes são acompanhar os preços de transação dos veículos, monitorar a concorrência e ter maior assertividade na tomada de decisão, com muita velocidade no tempo de resposta ao mercado.

O que virá depois do Inovar-Auto? O programa deveria permanecer com o mesmo formato?
Acredito que o programa evoluirá com relação ao formato atual, mas isso demandará muita discussão. Deve haver mudanças na estrutura, mas o objetivo continua a ser a busca por uma indústria consistentemente competitiva no mercado global.

Há riscos de aumento drástico da entrada de veículos importados caso os 30 pontos porcentuais sejam retirados após 2017?
Sim, pode haver uma nova entrada maciça de veículos importados no Brasil. O interesse dos grandes players mundiais no mercado brasileiro continua bastante intenso e quando esse momento chegar teremos a prova final. Todo o esforço já feito pelo governo e montadoras para tornar o produto brasileiro mais competitivo será decisivo para fazer frente aos produtos externos, que vão aumentar.

Como os acordos do Mercosul podem influenciar o mercado local? Negociações com a Europa podem culminar em redução de produção local por conta de sobreposição e competitividade?
Quanto ao Mercosul os acordos são bilaterais, portanto sempre existe a oportunidade de aprimoramento sem a necessidade da mobilização de todo o bloco econômico. Com relação às negociações com a Europa, sim, pode haver uma alteração da produção local. É muito importante ressaltar que a adoção progressiva de plataformas globais pelas montadoras estabelecidas no Brasil abre as portas tanto da importação quanto da exportação da produção local.

As exportações devem continuar ganhando força no próximo ano?
Acredito que sim. É evidente que existe um esforço contínuo do governo e das montadoras para acordos entre mercados, incluindo tanto veículos completos como kits CKD e SKD, além de peças de reposição. É uma tendência forte e sem volta.

Como a política econômica do novo governo influenciará a indústria automotiva?
A retomada da estabilidade econômica é vital para todos os segmentos da atividade industrial que necessitam de previsibilidade da demanda. Precisamos de sinais concretos para dar sequência ao processo contínuo de investimentos, que assegura a competitividade.

Qual a sua previsão para a retomada do mercado brasileiro? 
A estimativa é de uma retomada gradual, não acredito em explosão de números. Creio que a estabilidade virá somente a partir de 2019. Apenas daqui a quatro anos teremos vendas próximas aos números apresentados em 2015. Infelizmente a queda foi muito feia.


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