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28/11/2016

Trabalhadores da Karmann-Ghia iniciam desocupação da fábrica

Por Redação AutoData

- 28/11/2016

Depois de decretada a falência da Karmann-Ghia pela 8ª Vara Cível de São Bernardo, na quarta-feira, 23, a empresa, antiga fabricante de automóveis e que, nos últimos tempos, havia se transformado numa empresa de autopeças, trabalhadores iniciam desocupação das dependências da fábrica, ocupadas desde o dia 13 de maio, e aguardam Justiça lacrar a unidade como garantia de preservar o maquinário existente.

A decisão da Justiça atendeu pedido ajuizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC em junho, no qual argumentou abandono de patrimônio depois de longo período com sucessivos atrasos de salários e descumprimento de acordos. Na sentença, o juiz Gustavo Dall’Olio, reconhece a gravidade da situação e afirma que a falência é a “única medida cabível, considerando o crítico estado econômico-financeiro, levado a cabo por gestores e controladores cujos atos e condutas serão criteriosa e oportunamente avaliadas”.

Na manhã de quinta-feira, 24, uma nova assembleia foi realizada com a presença do presidente do sindicato, Rafael Marques, para esclarecer dúvidas a respeito da falência e os próximos passos a serem tomados. “Ganhamos segurança jurídica. Essa decisão (a falência) afasta definitivamente os últimos administradores e bloqueia os bens das pessoas que dirigiram a planta e fizeram má gestão durante anos, o que levou a essa situação”, disse em nota o sindicalista. “O que queremos agora é conversar com gente séria que queira investir aqui, porque a fábrica existe, as máquinas existem e os trabalhadores estão com vontade de voltar a trabalhar e ter a sua dignidade mantida e seus salários recompostos.”

O pedido de falência foi feito pelo sindicato após aprovação em assembleia no dia 27 de junho com os trabalhadores da empresa. Depois da fábrica lacrada será feita avaliação de bens que poderão ser vendidos para o pagamento dos credores, sendo dos trabalhadores os primeiros da fila.

Depois de mais de um ano de atrasos nos salários, a Karmann-Ghia foi ocupada pelos trabalhadores em maio passado. Na ocasião, até a energia elétrica estava cortada por falta de pagamento. A ocupação tinha o objetivo de preservar o património da empresa como garantia de pagamentos dos direitos dos trabalhadores.

Com a falência decretada, os antigos administradores são retirados do comando da empresa e um novo administrador nomeado pela Justiça irá gerir o processo de recuperação judicial. De acordo com o sindicato, por volta de seiscentos trabalhadores foram prejudicados pela administração da fábrica, entre empregados que estavam na ativa e não recebiam seus salários e demitidos que não receberam suas rescisões.

História – A Karmann-Ghia do Brasil foi fundada em 1960 em São Bernardo do Campo como subsidiária da alemã Wilhelm Karmann, a única fábrica da companhia fora da Alemanha. Em 1962 saia de sua linha de montagem o primeiro Karmann-Ghia brasileiro, produzido sobre plataforma Volkswagen. A unidade brasileira também foi responsável por introduzir no País a versão hatch do modelo o TC, baseado na mecânica do Volkswagen Variant, em 1975, ano em que a empresa também encerrou a produção da marca.

A unidade fabril, porém, seguiu em atividade. A empresa chegou a fabricar aqui o Land Rover Defender. Nos últimos tempos atuava como fabricante de autopeças.


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