Com o mercado de caminhões em queda, também o de implementos rodoviários enfrenta resultados negativos acentuados. De janeiro a novembro foram entregues um total de 56,7 mil unidades, dentre reboques, semirreboques e carrocerias sobre chassis, o que representou retração de 30,61% ante o volume vendido no mesmo período do ano passado, de 81,7 mil. O dados são Anfir, Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários, divulgados na quinta-feira, 8.
O presidente da associação, Alcides Braga, não enxerga outra possibilidade de recuperação do mercado de implementos de maneira mais ágil se não houver mudanças nas normas vigentes de obtenção de recursos. “Sem alteração nas regras de financiamento para 2017 será muito difícil para indústria aproveitar qualquer sinal de aquecimento da economia.”
De acordo com o presidente da Anfir, pelo modelo atual os empréstimos no Finame podem representar custo anual de até 18%. O BNDES, mesmo liberando recurso para até 90% do bem, opera com duas faixas de juros: uma para até 50% do bem para grandes empresas e 60% para pequenas e médias empresas, e outra para a diferença até o teto. “É justamente essa diferença, que é calculada com base em vários índices, que acaba encarecendo a operação”, observa em nota Braga.
O presidente da ANFIR afirma que a adoção para o volume total do valor financiado na fórmula tradicional, isto é, TJLP (7,5%), mais spread bancário (2%) e a parte do agente financeiro (3%) seria um bom suporte para a indústria. “Isso totaliza taxa anual de 12% a 13% o que é perfeitamente viável”, afirma Braga. “Não queremos subsídio”, completa.
A ANFIR entende que mesmo com a adoção imediata de novas regras para financiamento de bens de capital os resultados positivos demorariam a aparecer. “A venda de implemento rodoviário é uma operação que naturalmente demanda tempo. Por ser bem de capital o cliente precisa pesar com precisão a necessidade de realmente adquirir produtos novos”, explica Mario Rinaldi, diretor Executivo da ANFIR.
Dessa forma e considerando que o reaquecimento da economia tende a ser naturalmente lento a entidade estima que a recuperação das perdas dos últimos dois anos (2015 e 2016) só deverá ter início a partir do final do primeiro semestre de 2017.
Por segmento o volume acumulado de reboques e semirreboques emplacados até novembro chegou a 21,5 mil unidades, queda de 21,04% em relação a um ano antes, quando foram licenciados 27,2 mil implementos.
No caso de carrocerias sobre chassis, a queda foi ainda mais contunde, de 35,39%. De janeiro a novembro a indústria entregou 35,2 mil produtos contra os 54,5 mil vendidos no mesmo período do ano passado.
Tintas azuis somente nos resultados das exportações. Contabilizadas até outubro, as remessas somaram 3,2 mil unidades, alta de 20,67% sobre as 2,6 mil unidades enviadas um ano antes.
Notícias Relacionadas
Últimas notícias