Levantamento da consultoria inglesa JATO Dynamics mostra que o Brasil teve o pior desempenho, no número de emplacamentos, em 2016, no ranking dos dez maiores mercados mundiais. A China continuou na liderança, com alta de 14,2% seguida pelos Estados Unidos, que apresentou leve crescimento de 0,4%. O Japão teve queda de 1,6% mas continua na terceira posição.
Com volume de 1 milhão 986 mil 436 unidades o Brasil amargou queda de 19,8% na comparação com 2015 e a perda de duas posições no ranking: de sétimo colocado passou para o nono lugar. Dados da Anfavea, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, mostram que a redução no volume de licenciamento leva o Brasil para o patamar de 2006, quando foram licenciados 1 milhão 693 mil 135 mil automóveis e comerciais leves.
De acordo com Rafael Abe, gerente de pesquisa da JATO Dynamics, “estamos vindo de um processo de queda enquanto outros países estão se recuperando gradualmente nos últimos anos”. Segundo ele este cenário deve-se principalmente à acentuada turbulência nas áreas política,
econômica e social:
“O pior já passou, mas para o mercado voltar a aquecer em curto prazo serão necessários alguns fatores, como ajuste fiscal e redução de impostos para a indústria”.
Segundo Abe a ampliação das linhas de crédito e a redução da taxa de desemprego também são essenciais nesta equação.
Para 2017 não há perspectiva de recuperar a queda do ano anterior, mas haverá crescimento: “Este ano o crescimento estimado é de 5% a 10% no volume de emplacamentos”.
O índice da JATO aceita, assim, os 4% de acréscimo previstos pela Anfavea no início de janeiro.
O economista João Moraes, da consultoria Tendências, também atribui o desempenho brasileiro exclusivamente à crise econômica: “A recuperação de outros mercados vem dificultando a permanência do Brasil em posição de destaque no ranking”.
A quarta colocação no ranking mundial de emplacamentos conquistada pelo Brasil de 2011 a 2014 não poderia ser sustentada por muitos anos, ele recorda: “Naquela época a indústria previa um mercado de 4 milhões de unidades em poucos anos. Mas seria difícil, pois já existiam sinais de esgotamento”.
Esta expectativa foi criada principalmente por causa do crédito facilitado e dos salários reajustados constantemente acima da inflação: “A crise de hoje é, também, uma resposta a estas variáveis que inflaram o gasto fiscal”.
O economista acredita que em 2017 não haverá crescimento no volume de emplacamentos, porém será um ano um pouco melhor, “pois a redução da taxa de juros e a possível ampliação do crédito criarão um cenário mais favorável”.
Para o consultor automotivo Luis Carlos Mello o Brasil não perdeu mercado porque outros países cresceram: “A Europa, por exemplo, não aumentou suas vendas de maneira significativa nos últimos dois anos”.
Segundo Mello o motivo desta queda brusca no ranking deve-se principalmente à conjuntura econômica, “mas a estagnação tende a passar principalmente pela demanda reprimida que há no mercado”.
Mello diz ainda que em comparação a outros países o Brasil tem dimensões geográficas amplas que permitem vantagens com relação à retomada do consumo: “Mesmo sem contar com o retorno da demanda reprimida nos próximos anos há a possibilidade de crescimento por causa da migração virtuosa das classes sociais”.
Na sua visão, com o cenário político mais claro e oportunidades de investimentos, a resolução de problemas fiscais, da previdência e o aumento da confiança do consumidor ajudarão a fazer crescer o potencial de mercado e a recuperar gradativamente o desempenho das vendas.
Apesar de a conjuntura econômica ser razão principal do fraco desempenho de vendas do mercado interno, para Mello é necessário que a indústria rompa barreiras e invista mais em iniciativas arrojadas quando o mercado apresenta descontinuidade: “É preciso se ajustar à realidade, repensar o modelo de negócio e não apenas criar campanhas como aquelas que anunciam o veículo com preço de fábrica”.
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