O Copom, Comitê de Política Monetária, do Banco Central, reduziu a taxa básica de juros, Selic, em 0,75 ponto porcentual. Os juros referenciais da economia estão em 12,25% ao ano. Em nota o BC informou que há sinais macroeconômicos compatíveis com a estabilização da economia ao longo de 2017. No âmbito externo, de acordo com o Copom, o cenário ainda é incerto.
Entretanto, em nota, o Copom informa que, “até o momento, a atividade econômica global mais forte e o consequente impacto positivo nos preços de commodities têm mitigado os efeitos sobre a economia brasileira de revisões de política econômica em algumas economias centrais”.
Antônio Jorge Martins, coordenador de economia da FGV, disse que somente a queda na taxa ainda não é suficiente para melhorar a confiança na economia e gerar uma onda de consumidores nas concessionárias do País. A expectativa da Anfavea, associação que reúne as fabricantes de veículos instaladas aqui, é de uma alta nos licenciamentos de 4% em 2017, chegando a 2 milhões 130 mil unidades vendidas.
Segundo ele ainda não há sinais sólidos de que a recessão está no fim e as pessoas ainda estão receosas na hora de fazer uma dívida. Em janeiro 54,5% dos veículos licenciados no País foram financiados, segundo a Anfavea. Historicamente, de 60% a 65% das vendas são financiadas.
“Tenho uma postura mais conservadora. O desemprego ainda não cedeu a ponto de ser percebido pelo consumidor. O medo de perder o emprego ainda assusta o cliente das concessionárias de veículos.”
A taxa de desemprego, segundo dados do IBGE, fechou o último trimestre de 2016 em 12%. O País registrou nível recorde de desempregados no fim do ano, um total de 12 milhões 342 mil pessoas em busca de uma vaga.
Otto Nogami, professor de economia do Insper, também acredita que somente a redução da Selic não será suficiente para levar os clientes às concessionárias. Segundo ele as taxas de juros praticadas pelas financeiras levam em conta, além da Selic, os impostos que incidem sobre a operação financeira e os risco embutido na concessão do crédito:
“Como a inadimplência ainda é grande, os juros para a compra de veículos continuam altos. E há a estimativa de que a inadimplência deve crescer até agosto e, aí sim, depois começar um ritmo de queda”.
Para Nogami, outro fator que pode prejudicar o mercado é a volta da inflação. Segundo ele o governo quer “a qualquer custo” resgatar o consumo e isso pode gerar inflação, pois os empresários ainda não estão preparados para atender essa alta: “Todo cuidado é pouco e o Banco Central não tem todos os preços sob controle. A confiança ainda não retornou para estimular os investimentos em produção”.
Notícias Relacionadas
Últimas notícias