O transporte rodoviário de passageiros por fretamento enfrenta alguns gargalos para crescer e manter equilíbrio nos negócios das cerca de 8 mil empresas que atuam neste setor. A concorrência com empresas clandestinas e burocracias geradas por regras não padronizadas são as principais queixas dos transportadores, de acordo com a pesquisa inédita realizada pela CNT, Confederação Nacional do Transporte.
O estudo ouviu 363 empresários dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná e Amazonas. Também foram abordados 86 representantes de empresas que deixaram de atuar no ramo, o que totalizou 449 entrevistados.
Para Bruno Batista, diretor executivo da CNT, “dada a importância deste tipo de transporte, que atende à demanda de um público que precisa se deslocar para regiões que não são abastecidas pela operação regular urbana, a pesquisa foi realizada com o objetivo de apontar os problemas e buscar melhorias”.
Das empresas ouvidas 57,8% disseram que aumentou o número de operadores de transporte clandestino e mais da metade dos entrevistados acredita que isto acontece porque a fiscalização não é eficaz para coibir esta prática. Segundo eles falta policiamento de apoio e os agentes de segurança não estão preparados para conter esta prática.
Outro empecilho para o melhor desenvolvimento da atividade, de acordo com as empresas consultadas, é a falta de padronização de normas e regulamentos. A maioria não está satisfeita com as normas aplicadas. A resolução 4 777/2015 da ANTT, Agência Nacional de Transportes Terrestres, por exemplo, que estabelece requisitos para obtenção de autorização para fazer fretamento, é desaprovada por 67% dos operadores interestaduais e internacionais.
Na visão de Batista a simplificação das normas e a fiscalização mais acirrada para eliminar o transporte clandestino favoreceria o desempenho destas empresas: “Vale lembrar que o fretamento contribui consideravelmente para a mobilidade urbana”.
A pesquisa mostrou, também, que a falta de profissionais capacitados no mercado de trabalho é uma dificuldade para 47,1% destas empresas. O elevado custo da mão de obra é destacado por 27,9% como um dificultador.
Perfil do setor – Nos últimos oito anos o número de empresas de fretamento passou de 4,8 mil para mais de 8 mil, o que demonstra aumento de 68,8%, de acordo com a Rais, relação anual de informações sociais do Ministério do Trabalho. Mas, apesar do aumento do volume de empresas, a crise econômica dos dois últimos anos levou à queda da demanda de passageiros. A conclusão surgiu depois de a CNT entrevistar 86 empresários que deixaram de atuar no segmento. Destes 51,2% desistiram do negócio principalmente por causa da redução da demanda. 31,4% também apontaram a baixa remuneração como motivo e 24,4% alegaram o excesso de burocracia.
De acordo com as empresas entrevistadas o bom desempenho econômico é fundamental para os empresários. 91,1% afirmaram que a atual crise teve impacto negativo na atividade e, desses, 79,2% disseram que foi elevado.
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