O presidente da Anfavea, Antonio Megale, disse durante o Seminário Autodata Novos Desafios da Indústria Automotiva, que um dos grandes desafios a ser superado pela indústria automotiva é a diminuição do gap tecnológico entre as fabricantes instaladas aqui e as demais no mundo. Megale defendeu que a próxima política industrial do setor deverá contemplar projetos para equipar o País com o resto do mundo. “A indústria 4.0 está aí e precisamos nos inserir nela. A nova revolução industrial prevê a conexão de tudo na manufatura, desde o fornecedor até o cliente.”
Segundo o dirigente, o assunto está em pauta com o governo, pois para colocar em prática projetos dentro da indústria 4.0 são necessários investimentos na infraestrutura de rede de telecomunicações. “A cadeia no Brasil, como um todo, tem um nível de competitividade inferior a outros países. Isso torna a operação aqui mais cara, principalmente em relação às exportações. A nova política industrial deve resolver isso.”
Um dos entraves que assombram a indústria é a questão do custo Brasil. Megale alertou que até mesmo os créditos em tributos –principalmente o ICMS –, que deviam ser repassados para os exportadores para compensar a cobrança em cascata do imposto, a chamada Lei Kandir, estão retidos nos cofres dos governos e isso está hoje contabilizado nos custos das exportações das fabricantes brasileiras. “Acumulamos créditos e não conseguimos recuperar. É um problema que deve ser encarado, pois encarece as exportações. Sem contar a falta de logística adequada e a burocracia que dificultam as vendas externas.” Quanto à questão tributária, Megale acredita não ser a hora de reivindicar redução de impostos, mas pediu uma simplificação tributária. “Somente isso vai nos ajudar na busca por novos mercados.”
O presidente da Anfavea ressaltou ser fundamental que a nova política para a indústria automotiva, a ser implantada após o Inovar Auto, cujo término acontece no dia 31 de dezembro deste ano, tenha um planejamento de no mínimo 10 anos. “Com regras mais claras e longas, as empresas têm uma previsibilidade maior na hora de planejar a operação. Podemos corrigir a rota no meio do caminho, em cinco anos, por exemplo, mas as regras devem valer por 10 anos. Precisamos pensar agora a indústria que queremos em 2030.”
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