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28/03/2017

Aumento, vertiginoso, do roubo de cargas estrangula os lucros das transportadoras

Por Aline Feltrin

- 28/03/2017

A Firjan, Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, divulgou pesquisa com dados considerados “alarmantes” a ewspeito do roubo de cargas. De acordo com o estudo nos últimos seis anos os registros cresceram 86% no Brasil, passando de 12 mil 124 ocorrências para 22 mil 547 no ano passado. A soma deste período mostra 97 mil 786 roubos, que geraram às transportadoras prejuízos superiores a R$ 6,1 bilhões.

Ainda segundo a federação o problema tornou-se tão grave que o País é apontado como o oitavo mais perigoso para o transporte de cargas numa lista de 57. Ficou à frente de locais em guerra e em conflitos civis como Paquistão, Eritréia, Sudão do Sul. Rilly Rodrigues, gerente de infraestrutura da Firjan, disse “que se fosse analisada somente a periculosidade referente ao roubo de carga o Brasil seria o primeiro do ranking”. Das regiões que mais contribuíram para este aumento o Sudeste aparece na frente disparado.

“Nos últimos cinco anos houve um acréscimo de 89% nesta região, impulsionado principalmente pelo Rio de Janeiro”.

De acordo com ele no Estado o acréscimo chegou a 221% no período, passando de 3 mil 73 casos em 2011 para 9 mil 862 no ano passado. A justificativa para este salto, no entender de Rodrigues, tem a ver com o crime organizado, que passou a utilizar este tipo de assalto para obter lucro e sustentar seu caixa. Rodrigues conta que a liberdade de atuação dos bandidos ocorre por causa dos cortes do Governo do Rio de Janeiro com despesas em segurança.

“Em 2015 houve a redução de 54,5% com relação ao ano anterior nas despesas com policiamento, chegando a R$ 232,4 mil.”

Já o Estado de São Paulo teve acréscimo de 43% nos roubos de cargas, passando de 6 mil 958 casos em 2011 para 9 mil 943 no ano passado.

Com o cenário atual o impacto do roubo de cargas chega a comprometer 12,3% do faturamento das empresas transportadoras com gastos relacionados ao gerenciamento de risco, “o que envolve escolta armada e sistemas de rastreamento”.

De acordo com Rodrigues este índice é repassado para o frete: “No caso do Rio de Janeiro ainda há uma taxa extra, de 1%, por causa do alto grau de periculosidade.”

Carlos Guimar, gerente de segurança da ICTS, empresa especializada em consultoria, auditoria e serviços de gestão de riscos, disse que os prejuízos com o roubo de cargas são verificados em vários aspectos, tanto para o embarcador como para o transportador:

“No primeiro caso há o risco de perda de participação da empresa no mercado e também de arranhar a sua imagem”.

De acordo com ele isto acontece porque, quando uma carga é subtraída, há um atraso da entrega da mercadoria, o que abre espaço para que a concorrência chegue na frente. No caso específico da imagem ela fica fragilizada porque seus produtos acabam sendo comercializados no comércio clandestino: “Em muitos casos apenas meia hora depois do roubo a mercadoria já está sendo vendida nos trens, por exemplo”.

Guimar acredita que para as transportadoras o prejuízo maior está no encarecimento da operação, porque precisam desembolsar cada vez mais em sistemas de rastreamento e em segurança: “Nem sempre elas conseguem repassar o aumento de custo para o frete, e isto significa menos condições financeiras para renovar seus caminhões”.

Esta realidade envelhece a frota e também dificulta a realização das manutenções necessárias – “e, nesse caso, crescem os riscos de acidentes”.

Investimentos – Somente no Rio de Janeiro a Braspress, transportadora de cargas fracionadas, precisa desembolsar por mês de R$ 200 mil a R$ 300 mil em sistemas de segurança, o que envolve rastreadores com sistemas de última geração, escolta e iscas, que são pequenos GPS introduzidos dentro das cargas.

Antônio Marin, seu gerente nacional de riscos, contou que o Estado representa 80% dos roubos de carga. A Braspress, que opera em todos os estados e também na Argentina e no Uruguai, contabilizou prejuízo de R$ 3 milhões por causa destes crimes. A empresa possui frota de 1,8 mil caminhões e todos possuem sistema de rastreamento.


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