A metalúrgica ZEN, de Brusque, SC, viu a representatividade das suas exportações aumentar de 50% para 64% no faturamento nos últimos quatro anos. Com receita de R$ 180 milhões em 2016 e produção de 14,3 milhões de produtos, a empresa tem se apoiado em negócios com outros países para compensar o desempenho do mercado doméstico. Por causa das exportações a companhia teve acréscimo de 8% em seu faturamento em 2016.
O presidente Gilberto Heinzelmann contou que a perspectiva para este ano é manter volume parecido com o do ano passado, de 9,2 milhões de peças embarcadas, e o mesmo porcentual de representatividade das exportações no faturamento.
De acordo com ele um contrato firmado no ano passado com o México representa boa parte da garantia desta estabilidade: “É uma parceria com a Bosch, que utiliza nossos impulsores com sistema start/stop nos motores de partida”.
Estes produtos equipam veículos Audi e Volkswagen e Ford nos Estados Unidos. Nos últimos dois anos a ZEN também ampliou sua atuação na Índia e no mercado europeu.
A ZEN fabrica impulsionadores para motores de partida, tensionadores de correia e polias que equipam alternadores.
Investimentos – Para manter-se forte nos sessenta países para onde exporta a companhia investiu R$ 60 milhões nos últimos cinco anos. O aporte foi utilizado para modernizar a fábrica, desenvolver novos produtos e melhorar a produtividade:
“Concorremos com China e Coreia do Sul, que são extremamente competitivas por causa do custo, e precisamos sempre melhorar nossos processos.”
Outra medida utilizada pela empresa é seguir religiosamente o sistema lean de manufatura enxuta, filosofia de gestão que nasceu no padrão Toyota de produção e é focada na eficiência dos processos e na melhoria contínua. Seu objetivo principal é entregar o máximo de valor com a menor quantidade de recursos. Heinzelmann diz que trata-se de uma ferramenta muito importante para aumentar a produtividade dentro da companhia: “Esta forma de trabalhar faz com que haja uma redução de 24% do desperdício por cada colaborador”.
Custo Brasil – Apesar de todas estas ações dentro dos muros da fábrica o executivo admite que está cada vez mais difícil enfrentar o custo Brasil para manter posição de destaque lá fora. Despesas com mão de obra, valor da matéria-prima, logística e impostos são os que mais encarecem o produto final: “Os custos indiretos com o trabalhador são os que mais impactos causam para o nosso negócio, e são maiores do que os da China, por exemplo”.
De acordo com ele o valor da matéria-prima também é preocupante. Para driblar este problema a companhia adota algumas estratégias como a realizada no ano passado, que consistiu em importar aço da China em vez de comprar o insumo no Brasil: “Trazer de fora saía até 30% mais barato, mas este ano estamos comprando aqui também”.
No que diz respeito à logística o que aumenta os custos, atualmente, é a alta do preço do frete marítimo ocasionada pela baixa disponibilidade dos navios, “um movimento ocasionado pela redução das importações”.
As vendas de tensionadores para o mercado interno de reposição também têm ajudado a ZEN a mitigar um pouco a retração das vendas para montadoras e sistemistas. De acordo com Heinzelmann o volume de vendas destes produtos passou de 700 mil em 2012 para 1,4 milhão no ano passado: “Estamos sempre em busca de desenvolvimento de produtos para o aftermarket com mais de 2 mil itens disponíveis”.
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