AutoData - Setor de caminhões vive drama, mas fala em recuperação
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19/06/2017

Setor de caminhões vive drama, mas fala em recuperação

Por Henrique Skujis

- 19/06/2017

Presidentes e executivos das principais fabricantes de caminhões no Brasil não pouparam lamúrias durante seminário Caminhos para a Retomada, organizado pela Anfavea, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores. O evento aconteceu nessa terça-feira, 13, em São Paulo. “A situação e dramática”, disse Antônio Megale, presidente da Anfavea. “A indústria é capaz de fazer bem mais. Nossa ociosidade passa dos 80%.” Até maio, a perspectiva de retomada de 10% em 2017 não se confirmou. Em janeiro, a queda nas vendas com relação ao mesmo mês do ano passado foi de 33%. No acumulado, de janeiro a maio, o tombo diminuiu para 19,4%. Megale, no entanto, mostrou-se otimista para o segundo semestre. Ele acredita que a safra recorde de grãos deve impulsionar as vendas nos próximos meses. Além disso, o dirigente aposta na volta do crescimento do PIB e das obras de infraestrutura em todo o País.

Apesar dos números preocupantes, quando questionados sobre uma previsão para daqui a quatro anos, os dirigentes mostraram otimismo. Todos, a despeito da preocupação com a crise política, estimaram um mercado entre 100 mil e 120 mil unidades em 2021. O número representa um aumento de mais de 100% com relação ao volume vendido no ano passado, quando pouco mais de 50 mil caminhões foram emplacados. Para essa retomada, todos pontuaram a necessidade de uma política de previsibilidade econômica e incentivo à exportação. Os executivos acreditam que uma exportação entre 30% e 50% da produção é saudável para a empresa.

João Pimentel, diretor geral da Ford Caminhões, afirmou que com um mercado abaixo de 100 mil unidades o setor não se sustenta. Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz, também acredita nessa recuperação, mas apenas se for colocado em prática um programa de renovação de frotas pelo governo federal. “Enquanto falam em Euro 6 e em modelos elétricos, há mais de 200 mil caminhões com mais de 30 anos rodando. Isto significa mais emissão de poluentes, menos segurança e um mercado parado.”

Fabiano Todeschini, presidente da Volvo Bus Latin America, prevê que a produção pode chegar a 120 mil unidades em 2021. Ricardo Alouche, diretor da MAN Latin America, acredita que não é exagero pensar em 170 mil unidades a médio prazo. Marco Borba, da Iveco, também acredita que o País pode ultrapassar o recorde de 2012, quando 173 mil unidades foram vendidas. “O mercado está muito abaixo do potencial.” A marca dos 100 mil caminhões deve ser atingida em quatro anos, segundo Borba. Para ele, a atual crise econômica se deve muito à crise política. “Não é a primeira, mas essa já está durando quatro anos, com o mercado regredindo ano a ano. Ela parece mais duradoura do que as outras que atravessamos.”


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