Como caminhão carregado subindo a serra o setor de veículos pesados tenta se recuperar do tombo sofrido nos últimos anos. Em 2011, quando o setor viveu seu ápice, foram vendidos 172 mil 870 caminhões no Brasil. No ano passado esse número ficou em 50 mil 559 unidades. Em 2017 a situação se agravou. Comparando o desempenho do primeiro semestre deste ano, quando foram vendidos 21,5 mil caminhões, com o do ano passado, o declínio nas vendas é de 16,1%.
Luiz Carlos de Moraes, vice-presidente da Anfavea, ponderou, durante encontro com a imprensa na quinta-feira, 6, que a queda vem diminuindo mês a mês (veja quadro abaixo):

“Aos poucos o segmento caminha para a estabilidade. Devemos terminar o ano um pouco acima das 50 mil unidades vendidas no ano passado”.
Segundo estimativa da Anfavea o crescimento pode chegar a 6,4%. Mas vale dizer que esse crescimento é sobre o pior ano da história.
A redução na queda das vendas deve-se principalmente ao agronegócio que, devido à safra recorde, movimentou o segmento dos caminhões mais pesados, acima das 15 toneladas. Neste segmento houve aumento de 22,7% nas vendas em junho com relação ao mesmo mês do ano passado. Todos os demais segmentos, de 3,5 a 15 toneladas, apresentaram queda. Segundo Moraes o setor tem conseguido se descolar da crise política: “O telefone voltou a tocar. As consultas estão de volta”.
Ele diz que a tendência de queda na taxa de juros e a inflação sob controle também ajudam.
A produção de caminhões, graças ao bom desempenho das exportações, mostra números melhores do que as vendas. Apesar da queda de 10,3% em junho com relação ao mês anterior, saíram 15,3% mais caminhões das linhas de montagem nesse semestre do que no mesmo período do ano passado. A ociosidade da indústria de caminhões, no entanto, segue na casa dos 70%.
Antônio Megale, presidente da Anfavea, voltou a falar em renovação da frota e em inspeção técnica veicular como estímulo para a indústria de caminhões: “Há 230 mil caminhões com mais de trinta anos rodando pelo Brasil”.
ÔNIBUS – No segmento de ônibus as vendas em junho foram de 1,3 mil unidades, crescimento de 17,4% ante as 1,1 mil de maio e de 27,6% no comparativo com as 982 unidades de junho de 2016. No acumulado, no entanto, o resultado apresenta retração de 13,8% ao comparar as 4,9 mil unidades de 2017 com as 5,7 mil do ano passado.
A melhora nos últimos meses deve-se principalmente às renovações de frotas de várias cidades. Uma das esperanças do setor é a renovação na compra de ônibus na cidade de São Paulo. A expectativa, segundo Luiz Carlos de Moraes, é que a licitação seja realizada no segundo semestre: “Está atrasada por motivos políticos e econômicos. Era para ser no governo anterior”.
A frota da Capital paulista é de 14,5 mil ônibus, uma das maiores do mundo. Segundo Moraes 60% dela ainda é Euro 3, ou seja fabricada até 2011: “O potencial de renovação é bastante grande”.
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