Representantes dos governos brasileiro e mexicano se reuniram em Brasília, DF, na sexta-feira, 20, para a primeira reunião oficial de negociação da renovação do acordo automotivo bilateral, que vence em 18 de março – ou seja, em menos de um mês.
Não houve acordo e novo encontro foi agendado para daqui uma semana, ou a próxima sexta-feira, 27, na Cidade do México.
De acordo com informações reveladas à Agência AutoData por fonte próxima às negociações, as conversas estão duras e as tratativas tendem a se arrastar, como aconteceu em 2012, quando, a pedido do Brasil, foram adotadas cotas no comércio bilateral. De acordo com a fonte enquanto o governo mexicano cobra o retorno ao livre comércio a partir de 19 de março, conforme negociado há três anos, o governo brasileiro não só quer manter o sistema como ainda pediu a redução do valor das cotas anuais.
O presidente da Anfavea, Luiz Moan, esteve em Brasília na sexta-feira, 20, ainda que não participasse diretamente da reunião. Procurado por telefone o dirigente optou por não falar com a imprensa, mas afirmou por meio de nota que durante o encontro “os governos reiteraram seu interesse mútuo na rápida conclusão destas negociações e novo encontro deverá ocorrer em uma semana. Como representante do setor privado a Anfavea considerou a reunião muito positiva, dado o interesse demonstrado pelos governos no fortalecimento das relações bilaterais das duas maiores economias da América Latina”.
Em nota o MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, afirmou apenas que “as negociações avançaram”, salientando ainda que “os governos brasileiro e mexicano reiteram seu interesse na pronta conclusão dessas negociações”.
Ainda de acordo com a fonte ouvida pela reportagem uma das razões para o México reivindicar o retorno do livre comércio é a Argentina: quando o Brasil acertou o uso do sistema de cotas por três anos o parceiro do Mercosul logo exigiu o mesmo, iniciativa rechaçada pelo México. Depois de conversas duríssimas, em junho de 2012 a Argentina rompeu unilateralmente o acordo automotivo com o México, que por sua vez denunciou o país à OMC. A disputa só se encerrou em dezembro daquele ano, seis meses depois, quando foi acertado o uso das cotas também no comércio dos dois países, igualmente até 18 de março de 2015.
Como o governo mexicano não quer de forma alguma repetir o desgastante processo de negociação com os argentinos, segundo a fonte, a estratégia adotada foi a de cobrar dos brasileiros o retorno ao livre comércio, conforme combinado em 2012, o que eliminaria qualquer tentativa dos argentinos de também continuar com o sistema de cotas.
Em 2012 os governos brasileiro e mexicano chegaram a conversar quanto à hipótese de incluir veículos comerciais, como caminhões e ônibus, no acordo bilateral – hoje restrito a automóveis e comerciais leves –, o que poderia ajudar a balança comercial do lado brasileiro.
Porém, à época, divergências quanto às regras de emissões de cada país tornaram essa iniciativa inviável: o Brasil usa o padrão europeu enquanto os mexicanos adotam o estadunidense. Na ocasião os governos afirmaram que o tema seria reestudado para possível inclusão destes veículos no acordo a partir de abril de 2015.
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