AutoData - Montadoras buscam ajuste à nova taxa do dólar
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13/04/2015

Montadoras buscam ajuste à nova taxa do dólar

A taxa do dólar alcançou, superou e, ao menos nos últimos dias, se estabilizou acima dos R$ 3. Devido o seu recente histórico, é arriscado dizer que a cotação da moeda estadunidense alcançou um novo patamar definitivo e que a indústria precisa se adaptar à nova realidade: em 26 de janeiro sua cotação estava em R$ 2,57. Na quarta-feira, 11, menos de 45 dias depois, fechou em R$ 3,12.

A superação da faixa dos R$ 3, porém, acendeu o sinal de alerta nas montadoras e, principalmente, nas importadoras. Muitas peças e componentes, mesmo naquelas indústrias presentes há mais tempo no mercado brasileiro, ainda são importados e a desvalorização do real gera impacto direto nos custos de produção dos veículos.

No caso das importadoras, lotes de veículos encomendados por um valor há um mês serão faturados a preços superiores, pois a valorização da moeda estadunidense ocorreu em poucas semanas – e, da efetivação do pedido até a produção e faturamento, certo tempo é decorrido.

Marcel Visconde, presidente da Abeifa, argumenta que ainda existem modelos em estoque comprados com o dólar mais baixo, mas considerou inevitável o repasse dos preços nos próximos lotes importados. “Haverá repasse, mas com muita cautela. O mercado não está favorável e é melhor vender os carros com margem menor do que ficar com eles parados no estoque.”

Por outro lado a apreciação do dólar abre mais oportunidades para o produto brasileiro no mercado externo. Luiz Moan, presidente da Anfavea, considera positiva a nova cotação da moeda: “Ainda bem [que o dólar chegou a R$ 3,10]”, afirmou o executivo na última coletiva à imprensa, realizada na quinta-feira, 5, em São Paulo. “O dólar neste patamar fortalece o setor de autopeças nacional.”

ATÉ ONDE VAI? – A escalada de 20% do dólar em apenas seis semanas prejudica muito mais o planejamento das empresas, sejam montadoras ou importadoras, do que a estabilidade da moeda em qualquer patamar. Visconde, da Abeifa, reclama da volatilidade.

“O problema não é o valor, mas a flutuação. Essa indefinição atrapalha a importação e a exportação. Os contratos são negociados em longo prazo e uma empresa pode dificultar o fechamento do acordo na esperança de que a moeda suba ou desça, dependendo de seu interesse, nos dias seguintes.”

A Agência AutoData procurou, além das associações de marca, fabricantes e importadores de veículos. Oito responderam às solicitações, gerando essa reportagem especial. A maior parte concordou com Visconde: a volatilidade é o pior inimigo do planejamento das empresas.

Na segunda-feira, 9, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, afirmou à Agência Brasil que as oscilações diárias da moeda resultam do atual momento político do Brasil e que a volatilidade passará, estabilizando o câmbio em um patamar que considera mais conveniente para o País.

“Teremos um câmbio que dará ao Brasil outra condição com relação à competitividade de suas exportações. Reconheço que esse movimento dos últimos dias é algo que decorre muito mais de uma reação do mercado ao momento político. Mas logo me parece que ele vá se estabilizar em um nível que dê competitividade às exportações brasileiras.”

Segundo ele a tendência estrutural é de um real depreciado – em um ano a moeda perdeu mais de 40% do seu valor. “Há condições que estruturalmente estão conduzindo à valorização do dólar. A economia estadunidense se fortaleceu e há expectativa de elevação da taxa de juros naquele mercado. Isso vai concorrer para maior afluxo de recursos para os Estados Unidos e, com isso, várias moedas, inclusive o real, estão flutuando no sentido da desvalorização.”

O ministro garantiu que a balança comercial brasileira será beneficiada, bem como a indústria nacional, vez que o dólar elevado naturalmente promove o encarecimento dos produtos importados.


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