A Fenabrave revisou mais uma vez suas projeções para o mercado brasileiro de veículos em 2015 – e novamente para baixo. Na terça-feira, 5, o presidente Alarico Assumpção Jr. afirmou que o mercado deverá cair 18,9%, para 2,8 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, no total deste ano.
Em janeiro a Fenabrave estimou queda de 0,5% nas vendas. Há dois meses a associação alterou sua estimativa de retração para 10% com relação a 2014. Na ocasião o presidente disse que teria uma visão mais clara do mercado com o fechamento do primeiro trimestre, mas admitiu que a projeção carregava viés de baixa.
“Apareceram mais obstáculos do que imaginávamos”, afirmou Assumpção Jr. em entrevista coletiva à imprensa na sede da associação, em São Paulo, na terça-feira, 5. “Estamos em maio e até agora não aprovaram o pacote de ajustes fiscais, esse remédio amargo e necessário para a nossa economia. Eu disse que teríamos uma visão mais clara do mercado após o primeiro trimestre, e nossa expectativa está aí. Só acreditamos em retomada, modesta, a partir de janeiro de 2016.”
Para o presidente da Fenabrave o setor de distribuição passa por um momento difícil. Segundo ele foram fechadas 250 concessionárias desde o início do ano, com corte de mais de 12 mil postos de trabalho. No pior dos cenários, estima, “poderemos chegar a 800 revendas fechadas e 40 mil demissões”.
A queda nas vendas é generalizada. Em automóveis e comerciais foi de 18,4% no quadrimestre, comparado com janeiro a maio de 2014, para 860,3 mil veículos. O segmento de caminhões apresentou retração de 39% no período, para 25,2 mil unidades, e o de chassis de ônibus caiu 21,9%, para 8,3 mil unidades. Em motocicletas o recuou foi de 10,7%, para 435 mil unidades.
Para Assumpção Jr. a inflação alta, que eleva a taxa de juros e reduz o poder de compra do consumidor, aliada a PIB em queda, aumento do desemprego e queda na confiança atrapalham as vendas de automóveis e comerciais leves. Já o segmento de caminhões sofre com a falta de carga para ser transportada.
“Com exceção do agronegócio, o volume de carga é mínimo. Houve também antecipação de compra nos últimos anos, devido às condições do PSI Finame. Mas sem PIB não há venda de caminhões.”
Na segunda-feira, 4, o presidente da Fenabrave se reuniu com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. Apresentou o cenário do mercado de caminhões, mas saiu sem esperança de ações do banco de fomento para impulsionar o mercado.
“O orçamento do BNDES foi reduzido de R$ 190 bilhões para R$ 130 bilhões, para todas as linhas de financiamento. Pedimos um aumento no porcentual de financiamento do bem no Finame PSI, mas acho muito difícil que sejamos atendidos.”
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