AutoData - Regulamentações podem colocar cerca de 7 mil novos ônibus no mercado
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29/07/2015

Regulamentações podem colocar cerca de 7 mil novos ônibus no mercado

Por André Barros

- 29/07/2015

Em meio às dificuldades enfrentadas pelo segmento de ônibus rodoviários, cujas vendas caíram de 20% a 30% nos primeiros seis meses do ano, uma notícia surgiu como sopro de esperança para a indústria no segundo semestre: os primeiros passos para a regulamentação das autorizações de linhas estaduais e interestaduais foram revelados na semana passada.

Segundo Walter Barbosa, diretor de vendas da divisão de ônibus da Mercedes-Benz, um dos integrantes do Painel Ônibus Rodoviários do Workshop AutoData de Tendências Setoriais – Ônibus, que ocorreu na segunda-feira, 29, no Milenium Centro de Convenções, na Zona Sul de São Paulo, as normativas deverão ser publicadas nos próximos 30 dias, com mais 90 dias para a homologação. As bases principais, porém, já são conhecidas.

“Até 2016 a idade média da frota precisa cair dos atuais 8,7 anos para 7 anos. Em 2017 essa média deverá descer para 6 anos e em 2018, 5 anos. Isso significa um mercado de cerca de sete mil unidades a partir do segundo semestre.”

Barbosa ponderou, porém, que muitos desses ônibus deverão ser comercializados apenas no ano que vem, uma vez que há esse período de até 120 dias à espera da homologação das normas.

“Mesmo assim podemos afirmar que sem sombra de dúvidas o segundo semestre será melhor, até porque o primeiro foi muito ruim.”

Os participantes do painel afirmaram que o setor sente dificuldades em todos os segmentos, desde o transporte rodoviário ao fretamento. Paulo Corso, diretor comercial da Marcopolo, estimou retração de 20% a 30% nas vendas no primeiro semestre.

Segundo Silvio Munhoz, diretor de vendas de ônibus da Scania, o fretamento sofreu devido às investigações que paralisaram as obras na Petrobras. “Os pedidos desse segmento hoje são quase exclusivos de empresas de turismo.”

Corso, da Marcopolo, acrescentou que a própria economia desacelerada reduz a demanda por fretamento, uma vez que, ao demitir trabalhadores, as indústrias transportam menos pessoas para as fábricas.

“A queda nas vendas do segmento rodoviário nos preocupa pela sua relevância, pois gera vendas de maior valor agregado.”

Os executivos reclamaram também que o cenário atual não permite reajuste de preços e os custos que cresceram precisam ser absorvidos pelas montadoras e encarroçadoras. Segundo Munhoz, da Scania, as empresas trabalham para produzir o suficiente para manter a operação funcionando: “Essa variável [o preço] está impossibilitada de entrar nas discussões”.

Na semana passada a ANTT autorizou um reajuste de 7,7% nas tarifas dos serviços de transporte interestadual e internacional de passageiros. Para os executivos foi apenas recomposição da inflação e não significa maior apetite para investimentos.

Para Corso, da Marcopolo, o retorno da possibilidade de financiar 100% dos produtos ajudaria o setor. “Não precisa ser nas condições do passado, mas ampliar para 100% ajudaria muito. Hoje as pequenas empresas só podem financiar até 70% e precisam buscar meios comuns para a parcela restante, onde os juros chegam a 20% ao ano. O mesmo ocorre com as grandes, que têm teto de 50% de financiamento.”


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