
Ritmo de vendas do segundo semestre semelhante àquele que o mercado assistiu no primeiro semestre. Este cenário resume o sentimento de representantes das fabricantes de automóveis e comerciais leves participantes de painel no Seminário AutoData Revisão das Perspectivas 2015, realizado na segunda-feira, 20, na sede do Fecomercio, em São Paulo.
Marcos Munhoz, vice-presidente da General Motors do Brasil, no entanto, lembra que há uma matemática a ser feita para o período que agora segue: “Além da sazonalidade tradicional do segundo semestre, geralmente melhor que o primeiro, há uma diferença de 7% no número de dias úteis, para mais. O mercado do ano deve somar em torno de 2,7 milhões de unidades, o que acredito ser um volume razoável.”
Na análise de Bruno Hohmann, diretor de marketing da Renault, os segmentos que mais sofrem são o de entrada e o de comerciais leves, devido à falta de confiança do consumidor e dificuldade de crédito, mas o registro de crescimento de 4% na venda de usados, para mais de 4,2 milhões nos primeiros seis meses, o faz acreditar no potencial das vendas quando o mercado de 0 KM retomar. “Aquele que não está comprando carro novo adquire um usado. O consumidor brasileiro ainda tem o carro como um sonho a ser conquistado. Em dezembro, por exemplo, com o 13º. salário na mão, ele irá querer sair de férias com o carro novo e isso pode dar uma leve aquecida no fim do ano.”
Embora não se tenha outra expectativa geral senão a queda de vendas no mercado, na Toyota o ambiente é mais amistoso. Segundo Luiz Carlos Andrade Jr., vice-presidente, a companhia cresceu 3% no primeiro semestre enquanto o mercado de automóveis e comerciais leves caiu 20%. Sua expectativa é encerrar o ano com vendas de 195 mil unidades negociadas, o mesmo volume do ano passado. “Nossa visão é lastreada não no otimismo, mas no trabalho. Nesse momento é mais importante olhar para dentro de casa.”
Como ponto fora da curva, o executivo da Toyota ainda contou que está em negociação com o sindicato local para aumento de horas extras na unidade e Indaiatuba, SP, onde produz o Corolla. Hohmann, da Renault, também disse ter esperança em maior participação no segmento B, devido ao recente aumento de mix no portfólio de produtos da empresa, o que também resulta em menores fatias para as chamadas Quatro Grandes.
“É um processo de amadurecimento do mercado. A própria Renault mostrou melhor desempenho ao crescer sua gama. Antes cobríamos 70% da oferta no mercado, com o Duster alcançamos 80% e com a picape Oroch teremos mais alguns pontos nesse índice.”
Andrade Jr., da Toyota, completa: “A menor participação das fabricantes grandes é algo que já estava para acontecer. Nenhum mercado no mundo, com exceção do Brasil, vive com fabricantes com 30%, 40% de participação. Isso vai mudar aqui também”.
O vice-presidente da GM admite que as grandes terão de ceder espaço. Mas como seus colegas aponta o portfólio como fundamental para galgar posições e lembra que a própria GM conquistou liderança de vendas no varejo em virtude de uma linha de produtos renovada. “A GM resolveu renovar quase todo o seu portfólio ao mesmo tempo. Foi um processo de 15 meses, fundamental para colhermos agora o que plantamos.”
Análise unânime de todos os executivos do painel, independentemente da crise que o País atravessa, trata do investimento, que precisa ser contínuo, caso contrário perde-se o bonde, e de que as empresas do setor poderão sair melhor disso tudo. Como resumiu Andrade Jr., “a visão é estratégica e de longo prazo para qualquer que seja a montadora. No caso da Toyota, ao investir aqui ela planejou o queria do mercado brasileiro. Tinha em mente que viveria a montanha russa habitual da região. Quem tanto quer estabilidade que invista no mercado suíço”.
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