Na segunda-feira, 17, quando 250 trabalhadores retornariam de um lay off de cinco meses, a Volkswagen demitiu funcionários da sua fábrica de Taubaté, SP. O número de desligamentos não foi informado pela montadora e a Agência AutoData não conseguiu entrar em contato com o sindicato dos metalúrgicos da região até o começo da noite.
Sem citar demissões a Volkswagen informou, em nota, que “buscou alternativas junto ao sindicato desde abril, quando abriu processo de negociação para a composição de uma proposta que permitisse a adequação necessária da estrutura de efetivo e custos da unidade, que hoje são os mais altos da VW no Brasil”.
Segundo a companhia todas as medidas de flexibilização foram aplicadas – férias coletivas, lay offs e paralisação da fábrica –, mas não foram suficientes para adequar a produção à demanda do mercado.
O último recurso foi negado pelo sindicato, em assembleia, na semana passada: segundo o jornal Valor Econômico a empresa ofereceu um pacote de medidas que incentivava a aposentadoria e oferecia benefícios em um PDV, para eliminar o excedente. Também previa a adesão ao PPE, Programa de Proteção ao Emprego – mas, em troca, os trabalhadores teriam que trocar o aumento real de 2% acordado há mais de três anos por um abono, não incorporado ao salário, de R$ 8,8 mil.
“Apesar de a proposta não ter sido aprovada, continua urgente a necessidade de adequação de efetivo e otimização de custos para melhorar as condições de competitividade de Taubaté”.
As demissões na fábrica da VW foram divulgadas pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, cidade vizinha à Taubaté, que não representa os metalúrgicos da companhia. A entidade informou também que os trabalhadores da VW entraram em greve por tempo indeterminado em protesto contra os cortes.
Em São José dos Campos o impasse é com a General Motors, que demitiu 798 trabalhadores da sua fábrica local na sexta-feira, 7. Empresa e sindicato não chegaram a acordo na audiência no Tribunal Regional do Trabalho na segunda-feira, 17, o que provocou o agendamento de uma nova reunião para sexta-feira, 21.
Segundo o sindicato local o Ministério Público do Trabalho manifestou-se favorável ao pedido de anulação das demissões, baseado na jurisprudência que obriga a empresa a negociar com o sindicato antes de promover cortes em massa. A GM propôs um salário-base para cada trabalhador demitido, mas o sindicato não aceitou.
Em comunicado, a companhia informou que “não houve progresso efetivo nas discussões para solução do impasse. A GM entende que a maioria dos empregados deseja voltar ao trabalho e lamentavelmente estão sendo impedidos pelo sindicato, em descumprimento à liminar da justiça do trabalho de São José dos Campos que determinou o livre acesso ao complexo”.
O sindicato informou também que a situação será tema de audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo, na Capital, na quarta-feira, 19. Foram convidados representantes da GM, da prefeitura de SJC e da Comissão de Atividades Econômicas da assembleia.
Já a situação dos trabalhadores da Mercedes-Benz de São Bernardo do Campo, SP, caminha para um final menos traumático. No sábado, 15, os trabalhadores da companhia aprovaram por unanimidade, em assembleia, que o sindicato dos metalúrgicos local negocie a adesão ao PPE com a empresa – uma proposta parecida foi recusada há pouco mais de um mês, antes da criação efetiva do PPE pelo governo.
Sérgio Nobre, diretor do sindicato, afirmou em comunicado que a companhia informou que fará demissões a partir de 1º de setembro caso não haja alternativa. A possível adesão ao PPE é suficiente para resolver a situação, segundo ele.
“O PPE permite reduzir a jornada em até 30%, com corte proporcional do salário, mas metade dessa diferença seria financiada pelo FAT. Ele reduz o custo para a empresa e dá estabilidade ao trabalhador. Estamos certo de que é suficiente, mas a empresa tem dito que não. Se a empresa insistir em demissões, faremos toda a luta possível. Não aceitaremos essa situação”.
Na sexta-feira, 14, os funcionários da Melling do Brasil, de Diadema, SP, aprovaram a adesão ao PPE – foi a terceira do ABCD Paulista, após Rassini Automotive e Trefilação União.
O acordo da Melling prevê redução de 9,8% na jornada e nos salários dos duzentos trabalhadores por seis meses, mas 4,9% dos vencimentos serão bancados pelo FAT. A empresa produz bombas de água, de óleo e válvulas a frio para Ford, GM e Volkswagen.
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