A BMW do Brasil estuda, com afinco, iniciar um consistente programa de exportações a partir da fábrica de Araquari, Santa Catarina. A iniciativa marca uma reviravolta nos planos iniciais da fabricante de origem bávara por aqui.
Há um ano, quando inaugurou a planta, a montadora falava em priorizar totalmente o mercado interno em detrimento do externo, por entender que não havia competitividade para tal. Alguns poucos embarques, no cronograma inicial, estavam previstos somente para 2020.
Mas a nova paridade cambial do real perante o dólar e o aprofundamento do cenário de retração econômica do País levaram a mudança na rota programada. Em entrevista exclusiva Arturo Piñeiro, presidente e CEO do BMW Group do Brasil, revelou que “produzir no Brasil é mais caro do que em outras fábricas do Grupo do mundo, mas a atual relação cambial pode compensar”.
Os possíveis destinos dos BMW Made in Brazil ainda estão em estudo, mas uma coisa é certa: ao contrário do que se poderia imaginar, os países vizinhos e parceiros do Mercosul estão fora da lista.
“Como nosso índice de nacionalização ainda é baixo, não conseguiríamos atender às exigências de conteúdo local do bloco e desta forma não seríamos competitivos para estes mercados.” O executivo complementa, ainda, observando que “além disso a Argentina também está enfrentando um cenário de redução de vendas e por isso o volume [para este país] seria muito pequeno”.
Ou seja: pode-se sonhar com embarques para mercados maduros como Estados Unidos e Europa e, até mesmo, China. “Ainda estamos estudando as opções possíveis.”
São três os principais cenários a favor do País, além da taxa do dólar.
O primeiro é a ampla capacidade disponível de Araquari: neste ano serão produzidas ali cerca de 11 mil unidades para 32 mil possíveis em dois turnos, sendo que, confirma Piñeiro, “podemos alcançar até 100 mil/ano sem maiores dificuldades”.
O segundo é a vasta gama produzida localmente, de cinco modelos: os BMW Série 3 e 1 e X1 e X3 ganharão nos próximos dias a companhia do Mini Countryman. Como comparação a fábrica do Grupo logisticamente mais próxima da brasileira, na África do Sul, faz apenas o Série 3.
E o terceiro é início de atividades em série da estamparia e da pintura, que farão da fábrica catarinense uma unidade completa – as duas áreas serão oficialmente inauguradas coincidindo com o aniversário de um ano da planta, na quarta-feia, 30.
O mercado externo seria também uma saída para enfrentar um cenário interno mais realista: para o executivo o crescimento de dois dígitos no mercado premium registrado no Brasil em 2015 não se repetirá no ano que vem: ele crê em estabilidade ou, até mesmo, pequena retração.
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