A três meses do fim de 2015 a Abimaq, Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos, já descartou uma retomada do setor neste ano. Carlos Pastoriza, presidente da associação, afirmou na quarta-feira, 30, que o faturamento da categoria deve cair cerca de 15% neste ano.
No acumulado até agosto o faturamento do setor de máquinas e equipamentos registrou queda de 7,4%, para R$ 58,2 bilhões. “Descontada a influência do câmbio esta queda é de aproximadamente 14% e deve chegar a 15% no final do ano”.
Pastoriza destaca que o dado é preocupante: “Serão três anos consecutivos de queda do setor. Desde 2013 não temos resultado positivo e o segmento deve acumular queda de 30% neste período com os resultados de 2015. Isso é ruim para o setor, mas também é ruim para o Brasil. Se não estamos vendendo significa que o País não está investindo”.
Apenas em agosto o faturamento das empresas representadas pela Abimaq caiu 10,7% na comparação ao mesmo mês de 2014. Os R$ 6,9 bilhões representam queda de 3,3% ante o mês de julho.
Segundo o presidente, a incerteza política combinada com a política econômica recessiva e o custo de capital incompatível com o retorno dos investimentos têm inviabilizado qualquer decisão de investimento no País.
“Os primeiros meses de 2016 deverão repetir esse cenário, a não ser que haja um milagre. A esperança é que o patamar do câmbio contribua para o aumento das exportações e os resultados apareçam no segundo semestre do ano que vem”.
A Abimaq está otimista com o câmbio no patamar dos R$ 4. Segundo o diretor de competitividade da Abimaq, Mario Bernardini, em alguns meses, o setor começará a apresentar melhoras nas exportações, caso haja manutenção do patamar atual de cotação.
Enquanto isso não acontece, a Abimaq reportou remessas ao exterior de US$ 558,3 milhões em agosto, queda anual de 32%. No acumulado do ano as exportações registraram recuo de 20,4%, para 5,1 bilhões.
Bernardini ressalta que no ano a queda nas exportações representou perdas de US$ 1,3 bilhão, e além dos motivos explicados pela retração econômica, US$ 600 milhões são decorrentes da redução do setor de óleo e gás por problemas da Petrobrás.
“Outros US$ 300 milhões são fruto da queda nas exportações de máquinas rodoviárias e de construção”.
O executivo explicou que nesse segmento a maior parte das exportações são intercompany e muitas empresas deixaram de usar o Brasil como origem da fabricação dos produtos nesse ano.
“Se o patamar do dólar se mantiver nessa faixa atual pode ser que esse cenário seja revertido nos próximos doze meses”.
As importações também caíram e foram 19% menores em agosto, na comparação anual, para US$ 1,6 bilhão. No acumulado de 2015 a retração chegou a 18,7%, para US$ 8,4 bilhões. Segundo Pastoriza, a queda no indicador representa a redução de investimentos no País.
O déficit da balança comercial está em US$ 8,4 bilhões no acumulado do ano, valor 17,6% menor que o verificado no mesmo período de 2014.
Resultados – O consumo aparente de máquinas e equipamentos no País em agosto subiu 1,1% sobre o mesmo período do ano passado, para R$ 11,3 bilhões, com impacto parcial do dólar mais alto sobre as exportações. No ano, o consumo aparente caiu 3,9%, a R$ 90,3 bilhões.
A Abimaq afirmou ainda que o uso da capacidade instalada do setor recuou de 76,2% em julho para 66,1% em agosto. Também houve queda de 8,6% no volume de empregos do setor em agosto, na relação com o mesmo mês do ano passado. Atualmente há 330,4 mil trabalhadores no setor.
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