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08/01/2016

Abraciclo projeta estabilidade para 2016

Por André Barros

- 08/01/2016

A queda de 15% nas vendas para o atacado e na produção de motocicletas de janeiro a novembro surpreendeu os executivos da Abraciclo, associação que representa o setor de duas rodas. O presidente Marcos Fermanian projetava no mínimo empatar com os números de 2014 – que já não foram nada animadores.

Um misto de restrição dos financiamentos, em que apenas duas a cada dez fichas são aprovadas pelos bancos, e a falta de confiança do consumidor na economia provocaram essa retração, que pouco deverá se alterar em dezembro, mês em que as montadoras costumam conceder férias coletivas aos trabalhadores da Zona Franca de Manaus, AM.

“Foi um ano difícil”, afirmou Fermanian, em entrevista coletiva à imprensa na terça-feira, 8, em São Paulo. “Pensávamos em igualar 2014, não imaginávamos uma nova queda. Mas não vamos ficar chorando pelos cantos ou jogar a toalha. Temos que trabalhar bastante para manter esse resultado em 2016”.

De janeiro a novembro foram produzidas 1,2 milhão de motocicletas, das quais 1,1 milhão comercializadas no mercado doméstico. Em novembro o ritmo das linhas de Manaus caiu 38,4% na comparação com o mesmo período do ano passado para o menor nível do ano, 75 mil unidades, movimento que, segundo Fermanian, serviu para ajustar os estoques. As vendas no atacado seguiram a mesma trajetória e encolheram 41,2%, para 70,4 mil motocicletas.

O presidente da Abraciclo afirmou que ainda há necessidade de reduzir o volume de motocicletas nos pátios das fabricantes e concessionárias. “A produção no primeiro trimestre deverá sofrer um ajuste intenso para adequar o estoque ao tamanho do mercado”.

Segundo as projeções divulgadas pela associação, em 2016 a produção e as vendas no atacado deverão crescer em torno de 10 mil unidades cada, praticamente estáveis com relação a este ano. Projeta-se 1 milhão 280 mil motocicletas produzidas e 1 milhão 220 mil faturadas à rede.

Os licenciamentos agora sofrem o impacto de uma nova lei: desde o mês passado os ciclomotores, como são conhecidas as motocicletas com motor inferior a 50cm³, têm o registro obrigatório nos Detrans. Esse fato provocou um crescimento de 18,4% nas vendas de novembro, comparado com o mês anterior, para 105,4 mil unidades. Os licenciamentos desses modelos cresceram 287% no mesmo período, passando de 4,7 mil unidades para 18,2 mil emplacamentos.

Para 2016 a Abraciclo projeta leve incremento de 0,5% nos licenciamentos, para 1 milhão 260 mil unidades.

Exportações – A valorização cambial, que poderia ser uma aliada para compensar parte da queda na produção, sofre com outro entrave: o mercado argentino e sua politica de restrição de dólares.

Com o principal cliente dos produtos manauaras prejudicado, as exportações recuaram 23% de janeiro a novembro, para 63,1 mil unidades. O resultado dos dois últimos meses, porém, chegam a animar, com avanço de 54,2% em outubro e 87,7% em novembro, na comparação anual.

“As perspectivas para o mercado argentino são positivas, mas temos o mercado latino-americano também, que é muito maior que o brasileiro e atualmente abastecido com produtos asiáticos. Tem um potencial enorme de crescimento, mas para isso precisamos destravar alguns fatores que atrapalham as exportações, como a burocracia e as questões logísticas”.

Como estes fatores que ajudariam a tornar o produto brasileiro competitivo não são resolvidos da noite para o dia, a projeção de exportações para 2016 é de leve alta: 2,7%, para 75 mil unidades.


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