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29/08/2016

Mercedes-Benz cancela demissões e abre novo PDV

Por Redação AutoData

- 29/08/2016

Na manhã da segunda-feira, 22, os trabalhadores da Mercedes-Benz haviam aprovado, por unanimidade, que o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC negociasse alternativas para evitar as quase 2 mil demissões anunciadas pela montadora na fábrica de São Bernardo do Campo, SP. Apenas 48 horas depois a confirmação de que a decisão foi mais que acertada. Na manhã desta quarta-feira, 24, a montadora anunciou acordo com os trabalhadores para abrir mais um programa de demissão voluntária.

O novo PDV começou oficialmente nesta própria quarta-feira e segue até o próximo 31. O principal atrativo, entende a montadora, é o valor fixo de R$ 100 mil, independentemente do tempo de casa e da idade do colaborador horista ou mensalista. A montadora espera que cerca de 1,4 mil colaboradores aceitem a proposta.

A Mercedes-Benz estava com suas atividades produtivas paralisadas desde o dia 15, quando concedeu licença remunerada para todos os seus colaboradores por tempo indeterminado. Com o novo acordo, os trabalhadores retomam ao trabalho na madrugada desta quinta-feira. Além do programa de demissão voluntária montadora e do cancelamento das dispensas ficaram acertados outros três pontos: estabilidade de emprego até 31 de dezembro do ano que vem, reposição da inflação de 2016 nos salários do próximo ano e adoção de novas medidas para administrar o excedente de mão de obra que ainda permanecerá na unidade.

Os trabalhadores aprovaram a proposta em assembleia realizada na porta da fábrica após cinco dias de protestos que envolveram até mesmo a queima dos telegramas de dispensa enviados a partir do dia 15 pela empresa, que diz que acumulou mão de obra excedente da ordem de 2,5 mil pessoas. Em PDV encerrado em julho 630 trabalhadores já haviam se desligado da empresa.

Além da estabilidade até dezembro de 2017, a empresa aceitou discutir outros mecanismos para quem ficar na fábrica, como o layoff rotativo, licença remunerada e Programa de Proteção ao Emprego”, acrescentou Aroaldo Oliveira da Silva vice-presidente do sindicato.

“Uma vez atingida a meta de 1,4 mil pessoas no PDV, o restante do acordo fica garantido. O excedente será administrado, a princípio, por meio de layoff rotativo, com revezamento dos trabalhadores afastados”, diz o isndicalista, que destaca ianda que o acordo prevê para a data-base de 2017 o pagamento de um abono no valor de R$ 4 mil.

A montadora, contudo, afirma que nas negociações “reiterou a necessidade de reduzir o excesso de pessoas diante de ociosidade permanente nos últimos dois anos, acima de 50%, o que tem comprometido a sua operação no País”. E prosseguiu: “Com o novo acordo, a Mercedes-Benz apresenta mais uma alternativa aos seus colaboradores para suportar os efeitos da forte crise econômica no Brasil”. 

A Mercedes-Benz alega que o prolongamento da crise de mercado comprometeu suas receitas e que é “imprescindível também reduzir os custos de operação e administração na fábrica de São Bernardo do Campo”. A fabricante acrescenta que se não conseguir alcançar os ajustes poderá ver comprometidos investimentos já planejados.

“Durante todo o processo, a empresa argumentou a necessidade de acabar com o excedente de 2.670 metalúrgicos. A negociação não avançava, pois eles não aceitavam rever as demissões. Depois das mobilizações, conseguimos conversar. Insistimos que a proposta só seria viável se a empresa investisse num PDV realista, que levasse em conta o perfil dos companheiros que estão na fábrica. Hoje, na Mercedes, 60% dos metalúrgicos têm até 12 anos de casa e os PDVs anteriores só eram interessantes para quem tinha mais tempo de trabalho”, explicou.

Aroaldo também ressaltou outro item do acordo considerado importante para os trabalhadores. Ele informou que a empresa fará um mutirão com técnicos, engenheiros e representantes do setor de Recursos Humanos para rever e corrigir problemas nos PPPs (Perfil Profissiográfico Previdenciário), documento que traz todo o histórico do trabalhador e que é necessário para que ele dê entrada em seu processo de aposentadoria. “Havia muita demanda de companheiros em relação a esse documento, especialmente no que se refere ao reconhecimento de agentes de riscos, insalubridade. Havendo essa revisão e a correção de eventuais erros, muitos ficarão em condições de aposentar”, explicou.


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