AutoData - Cummins traz motor ISG para o Brasil
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14/09/2016

Cummins traz motor ISG para o Brasil

A Cummins começará a oferecer motores diesel da família ISG, de 12 litros, às fabricantes nacionais. Ainda sem contrato fechado ou até mesmo negociações avançadas, segundo garantiram executivos da própria empresa, os propulsores deverão chegar em um primeiro momento importados da China, para depois, gradativamente e de acordo com a demanda, começarem a serem nacionalizados.

Com faixa de potência entre 375 cv e 510 cv e torque que varia de 1.650 a 2.300 Nm, os ISG12 são destinados a veículos da gama extrapesada. Podem ser aplicados tanto em caminhões quanto em ônibus ou máquinas agrícolas, necessitando somente de pequenas adaptações. Desenvolvido de modo a poder ser adaptado com facilidade à tecnologia de emissões Euro 6, ainda não obrigatória por aqui, chegarão ao Brasil prontos para atender ao Proconve P7, equivalente ao Euro 5, com o sistema SCR.

A exemplo dos ISF 2,8 e 3,8 litros, em processo de nacionalização, o ISG será importado da China. “Para baratear os custos, a compra deverá ser feita diretamente pelo cliente com a Cummins de lá”, explicou Maurício Rossi, diretor de vendas de motores, peças e serviços da empresa.

A intenção é nacionalizar a produção depois, mas tudo dependerá da demanda. Segundo Rossi a importação deste motor chega a ser 15% mais em conta do que a eventual produção local, colocados aí todos os impostos e custos – na China são produzidos cerca de 900 mil motores por ano, sendo Foton e JAC os principais clientes do ISG12.

Mais leve – O projeto do motor foi feito em parceria das engenharias da Cummins norte-americana com a inglesa e a chinesa. O ISG12 ficou bem compacto: pesa 860 kg, 90 kg a menos do que o motor 11 litros produzido pela própria companhia.

Suas dimensões também foram reduzidas com o auxílio de softwares, que identificam áreas “a mais” da usinagem – ou seja, pode-se diminuir a estrutura sem prejudicar o desempenho ou provocar superaquecimento. Alguns componentes foram integrados e a manutenção facilitada. A Cummins oferecerá dois anos de garantia, ou 400 quilômetros.

Ainda sem clientes no Brasil, o ISG está sendo apresentado a montadoras, transportadores e distribuidores da Cummins no evento Innovation Week, realizado pela primeira vez no Brasil da terça-feira, 13, até a sexta-feira, 16. Além do motor outras tecnologias prontas para chegar ao mercado nacional estão disponíveis em primeira mão aos convidados.

“Nossa intenção é mostrar que não estamos parados, seguimos lançando novidades mesmo com a atual situação desfavorável do País”, disse Neuraci Carvalho, responsável pela divisão de negócios de motores para a Cummins América Latina.

As tecnologias apresentadas visam melhorar o consumo de combustível. A Smart Coast, por exemplo, é uma espécie de “banguela eletrônica”: quando o caminhão alcança uma velocidade pré-programada, o motor desacopla a transmissão e mantém a condução, como se rodasse desengatado. Mas não é inseguro: em eventual mudança de velocidade, como numa subida ou descida, a engrenagem é acionada novamente. O sistema pode reduzir em até 3% o consumo de diesel.

Já a EBP traz três combinações de condução, dependendo da quantidade de carga e do nível de inclinação das pistas, e pode reduzir o consumo em até 8%. Ambas estão prontas para serem oferecidas às montadoras brasileiras, dependendo apenas de interessados.

Mercado – Para Neuraci Carvalho as vendas de caminhões deverão registrar uma pequena melhora no ano que vem: “De 5% a 10% sobre o resultado de 2016”, estima.

Segundo a executiva, o humor do mercado já apresentou uma melhora, mas ainda levará um longo caminho para que se traduza em negócios.

“São quatro pontos que indicam melhora no mercado”, completou Rossi: “Os estoques nos pátios diminuíram, assim como a ociosidade das frotas dos grandes transportadores. Houve uma melhora na venda de componentes, como lonas, pneus, o que mostra que os caminhões estão rodando mais. E as próprias novidades que as montadoras estão lançando no mercado mostram que a confiança segue na retomada segue forte”.


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