AutoData - Mais produção com cautela
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29/09/2016

Mais produção com cautela

A Jeep apresentou na segunda-feira, 26, em Pernambuco seu segundo modelo nacional. Se não foi o primogênito produto da recente fábrica de Goiana, PE, o Compass brasileiro, um utilitário esportivo maior do que o pioneiro Renegade, terá no seu currículo outra importante atribuição: é lançamento mundial inédito, que depois de chegar ao mercado brasileiro será fabricado em outras unidades produtivas da FCA a partir do ano que vem.

Não por outro motivo o evento de apresentação do irmão maior do Renegade – e que também deriva da mesma plataforma empregada na picape Fiat Toro – em Cabo de Santo Agostinho, ao Sul da Capital Recife, mereceu, além da imprensa sul-americana, até mesmo a presença de Sergio Marchionne, CEO mundial da FCA, e principal tutor do projeto que colocou de pé a planta pernambucana, a primeira unidade conjunta do conglomerado que reúne mundialmente Fiat e Chrysler.

Marchionne, na prática, foi mero expectador da apresentação comandada por Stefan Ketter, principal responsável pela operação na América Latina. Antes, porém, em entrevista restrita a nove veículos de comunicação do Brasil e da Argentina, fez questão de mostrar tranquilidade com relação ao quadro econômico brasileiro e ao futuro da operação da FCA: “É preciso ter paciência com o Brasil”, afirmou, depois de evitar revelar qualquer outro investimento no País e de enfatizar que a “fábrica de Goiana foi o maior investimento do grupo na última década”.

O CEO da FCA, porém, não deixou de lamentar o recuo econômico e projetou um período longo para a recuperação: “O Brasil perdeu um década de crescimento”.

Marchionne não pareceu muito preocupado com a queda vertiginosa das vendas da Fiat no Brasil nos últimos dois anos. Julga natural para uma marca com portfólio de produtos defasados, problema que começou a ser sanado este ano com a apresentação da picape Toro e o subcompacto Mobi.

Ele entende que a marca poderá recuperar alguma participação já em 2017. “Mas a FCA, não só a Fiat”, reforçou o CEO. Se a Fiat perdeu quatro pontos porcentuais este ano, no acumulado até agosto, a Jeep, o outro braço da empresa aqui, já detém cerca de 2,5% de participação. Em dezoito meses passou da 24ª para a 10ª posição no ranking das marcas mais vendidas no mercado interno.

O Compass, que estará na rede de cerca de duas centenas de revendas Jeep em novembro, é apenas parte do recheio do sanduíche – o novo portfólio da FCA na América do Sul – que Stefan Ketter afirmou que concluirá até 2018, após lançar a picape média e o compacto Fiat Mobi – as fatias do pão. Na fábrica de Betim, MG, e em Córdoba, Argentina, já estão sendo gestados outros produtos que renovarão o meio da gama Fiat, como Palio, Punto, Grand Siena e Linea.

O início de produção do Compass estabeleceu um recorde na indústria brasileira; foram três novos modelos em apenas dezoito meses em fábrica recém-inaugurada.

Desde abril do ano passado já saíram da linha de montagem pernambucana 135 mil veículos. A fábrica tem trabalhado em dois turnos ao ritmo de seiscentos veículos por dia, ou perto de quarenta por hora. “A produção da Toro está saturada. Todos os dias buscamos maneiras de superar essa limitação”, revela Ketter, que, contudo, descarta a adoção de um terceiro turno pelo menos até o fim deste ano.

No chamado Polo Automotivo Jeep trabalham cerca de 10 mil pessoas, das quais 3 mil profissionais na montadora, 4,5 mil nos dezesseis fornecedores localizados ao lado – no Supplier Park – e o restante funcionários de empresas prestadoras de serviço. Até dezembro outros quatrocentos trabalhadores serão contratados pela montadora e fornecedores para dar conta da produção do terceiro modelo, que já garantiu outras cem contratações nos últimos meses apenas na montadora.

Os três veículos fabricados em Goiana, diz a FCA, já contam com 80% de conteúdo nacional. Perto de 40% desses componentes saem dos fornecedores instalados no complexo e que fazem entregas just in time e na sequência correta.

No ano que vem a FCA deve iniciar as obras de edificações do segundo parque de fornecedores localizado a não mais do que 20 minutos da fábrica. A ideia é comprar ainda mais componentes no entorno da planta, reduzindo a dependência – e os riscos e os custos logísticos – dos fornecedores instalados sobretudo em São Paulo.


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