Na segunda-feira, 19, terminará o lay-off dos cerca de 500 funcionários da fábrica da Chery em Jacareí, SP. Mas a produção, praticamente paralisada nos últimos seis meses, voltará mesmo no dia 2 de janeiro, quando para Luís Curi, vice-presidente da empresa no Brasil, a montadora chinesa inicia uma segunda fase no Brasil.
“É quase um começar de novo”, afirma o executivo, para sintetizar não só a retomada da produção, mas os muitos lançamentos e novas estratégias que nortearão a empresa em 2017.
Curi antecipa que a fábrica localizada à beira da rodovia Dutra, no Vale do Paraíba, deve produzir algo entre 6 mil e 7 mil veículos no ano que vem. Se assim for, será seu melhor resultado desde a inauguração oficial, em agosto de 2014, após investimento de US$ 400 milhões.
A capacidade anual instalada, porém, é da ordem 50 mil veículos, algo ainda muito distante da realidade da montadora, mesmo com os novos produtos previstos para os próximos dois anos. “Ocupar essa capacidade é algo para depois de 2020”, diz Curi, que projeta o mercado brasileiro de 2017 apenas ligeiramente superior ao de 2016.
O período de lay-off foi utilizado pela empresa para fazer ajustes na linha de montagem. As readequações visam a produção de pelo menos dois novos modelos já no ano que vem e um terceiro, o Tiggo 9, a partir de 2018.
O primeiro será o Tiggo 2, que entra em produção em fevereiro e estará na rede de concessionárias dois meses depois. Apresentado no Salão do Automóvel, o modelo será um dos SUVs compactos mais baratos do País, assegura Cury.
Depois, já no segundo semestre, começa a ser fabricado o Tiggo 7, um SUV maior e, simultaneamente, importados duas versões do sedã Arizzo, 5 e 7, em agosto e setembro, ambos com estudos de viabilidade de produção local.
Os novos modelos, diz o vice-presidente da Chery, continuarão a compartilhar as linhas de montagens de montagem com QQ e Celer, embora a montadora tenha optado por redirecionar muito mais esforços para os SUVs, mesmo na China. E não à toa: o mercado chinês deve fechar este ano com 27 milhões de veículos vendidos, 42% somente de utilitários esportivo.
O executivo participou de encontro com revendedores da marca na América do Sul na semana passada e entende que os futuros produtos brasileiros têm espaço em diversos mercados no continente. Alguns deles já estão em processo de homologação. Curi imagina que em futuro próximo de 10% a 15% da produção nacional da Chery sejam dedicados a países vizinhos.
Os novos veículos fabricados em Jacareí já contemplam a visão da montadora de reduzir o número de plataformas globais com as quais deseja trabalhar em mais uns três anos em todo o mundo. Não será surpresa, portanto, se QQ ou Celer saírem de linha em prazo não tão distante. Até porque, como admite o próprio vice-presidente da Chery, os clientes de produtos de entrada, como QQ, praticamente sumiram do mercado sem o crédito abundante de três anos atrás.
O encolhimento do mercado brasileiro e a dificuldade de se vender uma marca novata em um momento em que o cliente procura segurança para seu investimento – o que o leva a optar por produtos já consagrados – fez pelo menos outra vítima além da produção em Jacareí nos últimos dois anos: a rede de concessionárias.
A Chery já chegou a contar com quase oitenta pontos e hoje vê a distribuição de seus veículos feita por apenas 37 casas. Curi, porém, diz que pretende reforçar esse time, inclusive com a adoção de novas padronizações dos pontos.
Grupo CAOA – Todos esses planos, porém, podem ser revistos, caso as muitas informações de bastidores sejam confirmadas e a montadora estabeleça algum tipo de parceria com o Grupo CAOA. Embora as duas empresas neguem oficialmente ainda, há meses elas mantêm negociações sobre forma de colaboração no campo comercial, com a CAOA passando a responder pelas vendas dos produtos da marca. Mais recentemente, passou-se a falar de acordo envolvendo até mesmo a produção dos Chery no Brasil.
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