A produção de veículos deve crescer 11,9% este ano, chegando a 2 milhões 413 veículos fabricados pelas montadoras instaladas aqui, segundo a previsão da Anfavea, associação que reúne as fabricantes. A estimativa, no entanto, não animou o setor siderúrgico nacional. Para analistas consultados pela Agência Autodata, os estoques altos nos pátios das montadoras devem fazer com que as fabricantes não realizem uma encomenda que sustente o crescimento na operação das siderúrgicas por aqui.
Para Daniel Domeneghetti, consultor da Dom Strategy, as montadoras vão praticar uma estratégia que combina diluição de estoques e produção tímida, e isso vai gerar um impacto residual nas vendas do aço. «O que vai puxar os números da indústria siderúrgica continuará sendo a exportação do aço bruto, pois o cenário da commodity é favorável no exterior. As montadoras deverão focar este ano em diluição dos estoques, não em produção», disse Domeneghetti.
Em janeiro, segundo dados da Anfavea, 186,4 mil veículos estão hoje nos pátios e nas concessionárias, sendo 135 mil em revendas e 51,4 mil nas fabricantes. O estoque foi 5,4% maior que o registrado em dezembro do ano passado.
O setor automotivo, que em 2011 liderou os pedidos às siderúrgicas, foi o segundo comprador de aço laminado perdendo para a construção civil, que ganhou fôlego após a retomada do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. As vendas de aço laminado no mercado interno chegaram a 1,7 milhão de toneladas em janeiro, apresentando crescimento de 10% no comparativo com o mesmo período de 2016, segundo os dados divulgados pelo Instituto Aço Brasil, entidade que reúne as siderúrgicas do País.
“Existe hoje um problema claro de demanda na relação entre os dois setores. A sua origem não está relacionada ao preço do insumo, mas ao cenário de baixo consumo que hoje predomina em todo o mercado brasileiro. Quando o consumo voltar a crescer, o impacto do setor automotivo voltará a ser direto na indústria do aço», explica Rene Martinez, especialista em setor automotivo da consultoria Ernst & Young (EY).
Enquanto isso, a indústria siderúrgica mira o mercado externo em função da baixa atividade econômica no país e melhores condições oferecidas em cenário de câmbio valorizado. Em janeiro deste ano foram produzidas 2,8 milhões de toneladas de aço bruto, sendo 1,7 milhão de toneladas de aço laminado, o mais consumido pela indústria automotiva.
O consumo aparente nacional de produtos siderúrgicos foi de 1,4 milhão de toneladas em janeiro de 2017. Comparando com o mesmo mês do ano anterior, o crescimento foi de 7,9%. As importações cresceram 99% em janeiro, comparativamente ao mesmo mês do ano anterior, totalizando 209 mil toneladas. Em valor as importações apresentaram alta de 40,7%, atingindo US$ 173 milhões. As exportações atingiram 1,3 milhão de toneladas e valor de US$ 563 milhões em janeiro de 2017. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve um crescimento de 29,5% em volume e de 51,3% em valor.
Notícias Relacionadas
Últimas notícias