O de veículos, um dos segmentos mais ociosos em SP

Por Bruno de Oliveira

- 10/03/2017

Mesmo apresentando aumento de 17,1% na produção de veículos em janeiro, na comparação com o mesmo mês de 2016, as fabricantes instaladas no Estado de São Paulo operaram abaixo de sua capacidade produtiva. Aqui, região que abriga a maior quantidade das fábricas no País, 28 no total, o de veículos é o segundo setor industrial que menos utilizou sua capacidade instalada no mês, ficando atrás apenas do segmento de bebidas, segundo o Indicador de Nível de Atividade da Fiesp, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

O indicador da Fiesp aponta que a indústria de veículos do Estado obteve, em janeiro, índice 66,15 de capacidade instalada que vai até 100. Vale comparar: em janeiro de 2013, quando foram produzidas quase 293 mil unidades, o índice obtido foi 86,34. O desempenho foi creditado, pela Fiesp à “crise da economia brasileira que se abateu sobre a indústria automobilística”. Na comparação com janeiro 2016, porém, o índice deste ano apresentou alta de 3,7 pontos porcentuais.

O levantamento feito pela Fiesp no período insere o setor no bloco das indústrias paulistas que mais sentiram os efeitos da retração na economia. Além dele os setores de borracha, produtos químicos, máquinas e equipamentos e produção de metal também foram os que usaram menos sua capacidade instalada.

Antônio Jorge Martins, especialista em gestão de empresas da cadeia automotiva da Fundação Getúlio Vargas, FGV-SP, diz que o cenário é reflexo da queda do número de veículos licenciados no País, que gerou cortes de funcionários e ajustes de produção. Segundo dados da Anfavea as fabricantes de veículos de todo o País terminaram 2016 com 104 mil 412 empregados, 9 mil 924 funcionários a menos do que em 2015.

Apesar disso, no entanto, o especialista acredita que a tendência é a de que não haja mais quedas em 2017 e que a utilização da capacidade instalada aumente ao longo do ano.

“Já ocorreram períodos de queda acentuada no setor, mas nada além dos níveis que vemos hoje. As empresas, para 2017, planejam reajustar aos poucos suas produções para atender a uma branda retomada na demanda por veículos, e isso se reflete nos índices mensais da indústria como um todo.”