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10/03/2017

Pior bimestre desde 1998

Por Aline Feltrin

- 10/03/2017

No primeiro bimestre os emplacamentos de implementos tiveram o pior desempenho desde 1998, quando a Anfir, Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários, começou a contabilizar o desempenho de vendas das carrocerias de caminhões. Foram 6 mil 619 unidades comercializadas, o que representou retração de 30,42% com relação ao mesmo período do ano passado. Com o mercado fraco as empresas do setor estão com ociosidade 70% em seus chão de fábrica.

O segmento de carrocerias sobre chassi – categoria onde estão inseridos os implementos graneleiros, baú alumínio e betoneira – puxou o mau desempenho, com 3 mil 866 unidades, o que representa redução de 35,15% no período. Os reboques e semirreboques encolheram 22,49%, com 2 mil 753 emplacamentos.

Apenas as vendas de carrocerias para transporte de toras tiveram crescimento no período, com 223 unidades e aumento de 47,68% com relação ao primeiro bimestre do ano passado. Alcides Braga, presidente da Anfir, disse que o crescimento da demanda por este produto está relacionado ao aquecimento do mercado de celulose: “Este setor praticamente não sentiu a crise passar”.

Mesmo com os resultados negativos a Anfir mantém a expectativa de crescimento na ordem de 10% este ano e espera aumento da demanda a partir de abril.

A projeção de acréscimo nas vendas está apoiada principalmente na sinalização de melhoria de alguns indicadores econômicos e na observação de que os transportadores que fizeram a última renovação de implementos há seis anos comecem a procurar por novos produtos. Segundo o presidente da Anfir o mercado deve ser puxado principalmente pelas vendas de carrocerias sobre chassis que acomodam cargas, como bebidas e carga geral. A entidade espera, também, que investimentos em infraestruturas puxem a demanda de basculantes e tanques.

“Isto poderá, inclusive, garantir de dois a quatro anos de estabilidade nos resultados.”

Para o mercado externo a projeção também é de crescimento, da ordem de 10%. No primeiro bimestre a Anfir registrou alta de 40,57%, com 246 implementos exportados: “Desde que iniciamos rodadas de negócios com outros países temos melhorado muito nosso desempenho nas exportações”.

De acordo com ele há contatos importantes com a África do Sul e Oriente Médio. Dentre os principais mercados das implementadoras brasileiras estão todos os países da América do Sul e alguns da América Central: “Nossos carros-chefe de exportação são os basculantes, carga geral e carga seca”.

Um exemplo desse esforço para crescer no mercado externo é a implementadora Librelato, com unidades em Criciúma e Içara, SC. Segundo seu presidente, José Carlos Sprícigo, a empresa iniciou em 2012 a exploração de outros mercados por meio de parcerias com distribuidores, principalmente na América do Sul: “No ano passado, nesse sentido, fizemos um bom trabalho no Chile, com a inauguração de um novo distribuidor. Isso nos garantiu bons resultados”.

De acordo com informações da empresa a expectativa de crescimento para 2017 é da ordem de 20%, mesmo porcentual registrado no ano passado. Os embarques totalizaram R$ 7 milhões, o que representou 10% da receita líquida da empresa.

A empresa também espera crescimento para as vendas no mercado interno em 2017, apesar do mau desempenho registrado no primeiro bimestre, com queda de 28,5% com relação ao mesmo período do ano passado, totalizando 259 unidades emplacadas e 9,4% de participação. No acumulado de 2016 a empresa emplacou 2,8 mil unidades e registrou queda de 13%. Segundo Sprícigo desde que a crise econômica se instalou em 2015 houve corte de 50% no número de funcionários. Hoje a empresa tem quadro de 4 mil funcionários.


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