Confiança e capacidade instalada aumentam em março

Por Bruno de Oliveira

- 07/04/2017

O ICI, Índice de Confiança da Indústria, divulgado trimestralmente pela Fundação Getúlio Vargas, avançou 2,9 pontos em março de 2017, chegando a 90,7 pontos acumulados no período. É o maior nível desde maio de 2014, quando o índice acumulado foi de 92,2. Com o resultado a média do primeiro trimestre fecha em 89,2 pontos, 3,5 pontos acima do trimestre anterior.

A alta na confiança industrial ocorreu em dezessete de dezenove segmentos pesquisados e, segundo a FGV, se espalhou por todos os quesitos do levantamento. Houve avanço tanto nas expectativas dos empresários quanto no indicador que mede a situação atual. O índice de expectativas, chamado de IE no estudo, avançou 3,8 pontos, para 93,1 pontos, o maior nível desde abril de 2014, quando chegou a 96,9 pontos, e o índice da situação atual, o ISA, subiu 2,1 pontos, para 88,5 pontos, o maior desde janeiro de 2015, quando registrou 89,1 pontos.

Para Aloísio Campelo Júnior, superintendente de estatísticas públicas da FGV, os indicadores são um termômetro da atividade na indústria e mostram projeção de crescimento.

“Com a alta de março o ICI consolida a tendência de recuperação e atinge um nível próximo ao registrado no início da atual recessão. O resultado parece retratar um setor em fase de transição no ciclo econômico: há novidades favoráveis, como o expressivo espalhamento setorial da alta e a melhora das expectativas, tendo como contraponto a persistente insatisfação com a situação atual dos negócios.”

O técnico da fundação também sinaliza para variações na expectativa por causa dos riscos intrínsecos à economia: “O cenário econômico é propício à gradual elevação da confiança industrial ao longo dos próximos meses, embora condicionado a sobressaltos e aos riscos inerentes ao ainda elevado grau de incerteza”.

A maior contribuição para a alta do índice de expectativas foi dada pelo quesito que mede os prognósticos acerca da evolução da produção. Após cair 2 pontos em fevereiro o indicador de produção prevista subiu 4,6 pontos em março, atingindo 93,3 pontos. Neste período houve elevação da proporção de empresas prevendo aumentar a produção nos três meses seguintes, de 27,6% para 30,9% do total, e relativa estabilidade na parcela das que preveem reduzir a produção, que passou de 19,3% para 19,0% do total.

Em março o indicador que mede a avaliação do nível de estoques exerceu a maior contribuição para a evolução do ISA no mês. A evolução ocorreu pelo aumento da parcela de empresas que avaliam o nível de estoques atual como insuficiente, que passou de 4,9% para 6,1% do total, enquanto a das que o consideram excessivo passou de 12,8% para 12,9%. Com o resultado os estoques industriais ficam muito próximos à situação de normalização que já haviam alcançado em setembro.

O nível de utilização da capacidade instalada, chamado de NUCI no levantamento da FGV, subiu 0,1 ponto porcentual em março, para 74,4%. No primeiro trimestre de 2017, a média do indicador fechou também em 74,4%, 1 ponto porcentual acima do trimestre anterior.