Híbridos receberão incentivos do governo via Rota 2030

Por Bruno de Oliveira

- 15/05/2017

A nova política industrial para o setor automotivo, que vai substituir o Inovar Auto e é chamada de Rota 2030, está sendo desenhada de forma a garantir incentivos fiscais às empresas que apostarem na produção de motorização elétrica ou híbrida, segundo Marcos Pereira, ministro da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior, MDIC. Os benefícios, no entanto, podem não contemplar todos os elos da cadeia automotiva. O ministro classificou como “difícil” uma desoneração para o segmento de autopeças.

O governo vai incluir no Programa, que tem até o dia 31 de maio para ser apresentado ao setor, medidas que beneficiam projetos de veículos eletrificados. O ministro disse, durante evento de lançamento de novo motor da Ford, na sexta-feira, 5, em São Paulo, que os incentivos irão contemplar produção de motores sem distinção de tamanho volumétrico: “A ideia é incentivar a produção de veículos elétricos e híbridos aqui. A redução de impostos, sobretudo o IPI, hoje está baseada na potência do motor, no tipo de combustível que ele utiliza. O foco agora é na eficiência energética, não importa o tamanho volumétrico do motor. Vamos universalizar”.

O segmento de autopeças, que inclusive é descrito na apresentação do Rota 2030 como um dos setores-chave da nova política industrial, não deverá passar pelo mesmo caminho dos incentivos às fabricantes responsáveis pela manufatura de veículos. Para o ministro, o governo desconsidera qualquer tipo de incentivo fiscal às autopeças: “Desoneração hoje em dia é uma palavra difícil. Não é impossível, mas para esta nova política, a grande chance é de que não haja nada neste sentido para o setor de autopeças”.

Marcos Pereira atribuiu aos governos anteriores a queda na competitividade das autopeças, e disse que são necessárias reformas para que o setor atinja os níveis de competição desejáveis no contexto da nova política industrial: “Autopeças se tornaram pouco competitivas ao longo dos anos por causa de uma série de burocracias, de medidas de taxação que foram implementadas, de regras pouco previsíveis adotadas pelos governos anteriores, sobretudo pelo governo dos últimos treze anos, e agora a nossa ideia é modernizar, reformar, facilitar para melhorar o ambiente de negócios”.

Inovar Auto – O ministro Marcos Pereira, do MDIC, explicou que no novo documento gestado em Brasília estarão presentes “as coisas boas” do Inovar Auto, programa de política industrial que se encerra em dezembro deste ano: “A nacionalização é algo que, com certeza, será mantida na nova política. Foi nosso maior ganho nos últimos anos poder trazer ao País tecnologia de ponta”.

Sobre o julgamento pelo qual o País passa junto a Organização Mundial do Comércio, OMC, que considerou o Inovar Auto uma ferramenta protecionista, o ministro acredita que o Brasil não sofrerá sanções da entidade: “O Brasil foi condenado, mas cabe recurso. A expectativa, segundo o Itamaraty, é de que dificilmente haverá uma mudança na apelação e os julgadores deverão manter o País dentro da entidade”.