Governo teme queda da arrecadação de impostos com Rota 2030

Por Bruno de Oliveira

- 10/07/2017

O governo brasileiro teme a queda na arrecadação de impostos com o avanço dos veículos dotados de motores mais eficientes, uma das demandas do Rota 2030, a política que deverá substituir o Inovar-Auto. Um dos principais pilares do programa, que é desenhado conjuntamente por Brasília e o setor automotivo, é a redução do IPI, o Imposto sobre Produtos Industrializados, para veículos com esta característica.

Segundo Henry Joseph Júnior, gerente da Volkswagen e um dos vice-presidentes da Anfavea, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, interlocutores do governo revelaram, durante discussões sobre o Rota 2030, o temor com relação à eventual queda na arrecadação, embora considerem que compensar as perdas com outros impostos seja inviável no momento: “Criar mais impostos torna inviável os avanços que queremos, mas há uma preocupação com relação a isto”.

O representante dos fabricantes disse, durante o segundo dia do Ethanol Sumit, realizado em São Paulo na terça-feira, 27, que alternativas estão sendo estudadas para evitar o cenário temido pelo governo, mas que elas estão sendo tratadas internamente, sem a participação do setor automobilístico: “O papel das fabricantes é promover meios pelos quais a indústria possa se equiparar em qualidade, e em nível de eficiência, aos mercados mais desenvolvidos”.

Um dos caminhos, disse Miguel da Fonseca, vice-presidente executivo da Toyota, passa pelo desenvolvimento da produção e das aplicações do álcool nos veículos produzidos no Brasil. Ele argumentou que é necessário pensar no insumo como um combustível global, e que toda a cadeia deve considerar este fator da mesma forma como considera aumentar o nível de tecnologia dos veículos: “Ainda que o Brasil seja um produtor importante de álcool representamos 2% da frota global de veículos. E isso mostra o quanto precisamos avançar em conjunto como cadeia produtiva”.

Para Ricardo Bacellar, diretor da área automotiva da KPMG, o Brasil tem vocação para a produção de álcool e precisa aproveitar o momento, considerado chave, por duas razões: possibilidade de mudança na política industrial e maior proximidade com mercados externos nos últimos três anos. Na linha do argumento da Anfavea ele disse que o País deveria estabelecer parcerias com outros produtores de álcool e ganhar musculatura para desenvolver produtos atraentes em outros mercados:

“O setor automotivo precisa ser mais proativo com relação aos combustíveis limpos não apenas para o Rota 2030 mas para situar o Brasil como um produtor global. Temos um legado enorme. Se somarmos essa experiência à de outros países produtores entraremos no contexto global, no qual ganha mercado quem oferece veículos eficientes”.

Durante o Ethanol Summit Anfavea e Unica, União da Indústria de Cana de Açúcar, assinaram protocolo de intenções de incentivos à produção de álcool de cana de açúcar. As duas entidades se comprometeram a atuar em conjunto na promoção do combustível nas esferas pública e privada.