MAN volta a operar cinco dias por semana

Por Ana Paula Machado

- 10/07/2017

De 2011 para cá a queda nas vendas de caminhões e ônibus no País foi de 70% e muitas fabricantes redimensionaram o seu tamanho para operar de forma mais competitiva. Foi o que também fez a MAN Latin America que, em 2015, iniciou a redução da jornada de trabalho na fábrica de Resende, RJ, passando a operar da segunda à quinta-feira. Com o mercado interno em queda a solução para manter as linhas funcionando foi voltar as suas atenções para processos de exportação. Essa estratégia melhorou a cadência de produção na fábrica e, a partir de julho, todos os 3,5 mil funcionários passam a trabalhar cinco dias por semana.

Roberto Cortes, presidente e CEO da MAN Latin America, disse que a decisão de voltar à operação normal se deu, também, em função da pouca melhora do mercado interno. Apesar de as vendas não estarem, ainda, no patamar adequado pelo potencial do mercado brasileiro, o ritmo de queda tem diminuído este ano: “Os licenciamentos de veículos pesados estão melhorando, mas ainda em um nível muito baixo. Neste ano, para ficar igual ao volume de 2016, o segundo semestre tem que crescer pelo menos dois dígitos. Não acredito que possa aumentar 5% como prevíamos em janeiro, porque o primeiro trimestre foi muito ruim”.

Até maio foram comercializados 17 mil 239 caminhões, recuo de 19,4% no comparativo com o mesmo período do ano passado. Os licenciamentos de ônibus não tiveram comportamento diferente, chegando a 3 mil 643 unidades, queda de 22,5% com relação ao janeiro a maio de 2016. Os dados são da Anfavea, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores. No ano passado foram vendidos 50 mil 559 caminhões e 11 mil 161 ônibus.

Cortes ressaltou que no primeiro bimestre as vendas diárias de veículos pesados eram em torno de 150 unidades. De março a maio o ritmo melhorou e passou a cerca de 230 por dia: “E junho continua por aí. Mas ainda é muito baixo para o potencial de crescimento do Brasil. Até porque ocorreu o represamento de compras nesses anos e, agora, a renovação tem que ser feita. Os veículos adquiridos em 2011 e 2012 têm um custo de manutenção mais alto e isso é colocado na ponta do lápis na hora de decidir por um veículo mais novo”.

Mercado externo – O executivo disse que as exportações da MAN têm crescido no mesmo patamar do mercado: “O nosso plano de internacionalização tem surtido efeito. Os resultados até junho são expressivos”.

Segundo ele as vendas externas aumentaram de 40% a 45% no período, e a Argentina e México são os seus maiores parceiros:

“Nos últimos anos focamos muito no mercado interno e aprendemos que essa não é a melhor estratégia. Agora traçamos um planejamento que consiste em melhorar nossa participação onde já atuamos e em desbravar novos mercados. Nosso alvo é o Norte da África e o Oriente Médio”.

O bom desempenho das vendas ao Exterior e a tímida melhora do mercado interno deram fôlego para as linhas de produção da MAN:

“Estamos trabalhando em um turno e montando de oitenta a cem veículos por dia. Essa cadência pode melhorar com o crescimento das vendas internas e com a conquista de novos contratos de exportação. Argentina, Chile e México estão indo muito bem e, se somos uns dos líderes de mercado no Brasil, por que não o sermos, também, na América Latina?”.