O aumento da alíquota do PIS/Cofis sobre os combustíveis para melhorar a arrecadação e atingir a meta de déficit fiscal de R$ 139 bilhões para este ano, impactará o valor dos fretes no País. O transporte de grãos e commodities poderá ficar até 6% mais caro que o transporte de outros produtos.
Para Lauro Valdivia, assessor técnico da ANTC, a Agência Nacional de Transporte de Cargas, a alta do frete será de 4% de forma geral, mas alguns segmentos verão os custos subirem mais do que outros em função da alta no diesel – em média o preço chegará a R$ 3,54: “Os produtos da cesta básica como um todo ficarão mais caros porque as empresas que os transportam já não tem margem para absorver este aumento”.
A alta da alíquota anunciada na quinta-feira, 20, foi maior do que o esperado pelo setor de transportes, que agora visualiza um tempo maior para a esperada recuperação econômica. Marinaldo Barbosa dos Reis, diretor de abastecimento e distribuição do Setcesp, o Sindicato das empresas de transporte de São Paulo, disse que a medida atrasará uma renovação de frota esperada para o primeiro semestre de 2018 nas empresas do estado:
“Embora o setor como um todo esteja descapitalizado para fazer investimentos, algumas empresas previam renovação de frota no ano que vem. Com a alta da alíquota, voltam à gaveta os projetos. Eles poderiam cortar de custos se pensarmos que caminhões novos consomem menos combustível”.
O modal rodoviário é o predominante no Brasil – 60% das mercadorias são transportadas por caminhões, segundo a ANTC. De acordo com a entidade, o combustível representa 40% do custo de um frete e o aumento geralmente é repassado para o preço.
Fora o mercado interno, o aumento poderá ter impacto também no mercado externo. Os caminhões que transportam carga para a exportação são maiores e o combustível ultrapassa a média de 40% no custo do frete. Nas cidades, a porcentagem cai, e o combustível de pequenos caminhões chega a representar 10% do custo.
Repasse incerto – Ainda que a nova alíquota tenha provocado aumento do preço do diesel, não é o maior valor praticado nos últimos tempos, lembrou Maria Fernanda Hijjar, sócia-executiva da consultoria Ilos. Ela afirma que o aumento do imposto é uma notícia ruim para o segmento de transportes porque muitas acabarão absorvendo o aumento: “No entanto, outro aspecto importante é a nova política de preços da Petrobras. O preço do diesel que está na bomba atualmente não é o maior dos últimos anos, o que dilui o impacto da alta do imposto”. De acordo com dados da ANP, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a última medição semanal de junho nas refinarias o preço do diesel foi de R$ 2,997. Em junho do ano passado, o valor foi de R$ 3,013.
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