Apesar da crise pela qual atravessa o mercado de ônibus, com queda na venda de chassis que beira os 28% no primeiro semestre do ano na comparação com o mesmo período do ano passado, a Marcopolo respira outros ares com o lançamento na terça-feira, 7, de cinco modelos de carrocerias. As novidades incrementam as ofertas nas famílias de urbanos, intermunicipais e rodoviários.
“Seguramente estamos passando pela pior crise já vivida por nós, com fortes medidas de ajustes”, observa Paulo Corso, diretor de operações comerciais da encarroçadora. “Mas não podemos deixar de investir no negócio que acreditamos. Se o mercado não está comprador hoje no futuro estará, afinal o ônibus acaba sendo o modelo mais funcional e imediato para a solução do transporte coletivo.”
Para atender as diferentes características dos serviços do sistema de transporte público a Marcopolo incrementou a sua gama de ônibus urbano com a introdução do Torino Express, Torino Low Entry e Torino com motor traseiro.
Destinado às aplicações urbanas em vias segregadas convencionais ou mesmo em sistemas BRT, o Express é um modelo articulado com comprimento total de 20 a 23 metros para o transporte de massa em vias segregadas convencionais ou rápidas, além de ser configurado com maior largura interna, de 2,55 m, oferecendo mais espaço à circulação dos passageiros.
“Trata-se de um veículo versátil, uma alternativa para cidades menores que requerem um produto mais enxuto”, diz Petras Amaral, gerente de design e inovação da empresa. “Possui variação com motor traseiro, é similar a um BRT, pode ser configurado com acesso em nível ou de serviço convencional e até mesmo rodar fora do corredor.”
A segunda novidade urbana, Torino Low Entry, cabe como alternativa para produtos de maior valor, como o modelo da mesma família BRS. Possui motor na dianteira e, como sugere o nome, proporciona acesso facilitado pelo piso baixo com auxílio de suspensão pneumática, sem necessidade de elevadores, um dos seus maiores diferenciais. Para carrocerias de 13,3 m de comprimento, comporta noventa passageiros, 49 sentados e 41 em pé. “É um modelo complementar ao Torino Express e também opção para cidades menores”, destaca Corso. “Por sua relação custo-benefício, temos nova ferramenta para competir em um segmento do mercado de urbanos no qual não tínhamos oferta.”
Encerra o pacote de lançamento da família de urbanos o Torino com motor traseiro. Seu diferencial está no maior conforto termoacústico que oferece em relação à mesma versão de motor dianteiro. “Agora ampliada, a família de ônibus urbanos também foi desenvolvida para entregar padronização ao gestor”, assegura o diretor de operações. “Peças e componentes são comuns à família, permitindo gestão da manutenção mais eficiente.”
No segmento de serviços intermunicipais e fretamento a Marcopolo introduziu na linha o novo Ideale. O modelo ficou 50 milímetros mais largo e traz alterações estéticas na dianteira e na traseira, além de um novo conjunto de faróis de LED. Os principais benefícios, no entanto, ficam com o aumento da largura das poltronas, para 1 m – 15 mm a mais que as anteriores – e corredor central mais largo, com 375 mm. Disponível na configuração 4×2, o novo Ideale tem capacidade 48 passageiros sentados. De acordo com o gerente de design, o ônibus foi “projetado para operações severas de curtas e médias distâncias e, como nos urbanos, cada vez mais pensando nos frotistas, que precisam de modelos com peças comuns”.
Por fim a Marcopolo relançou o modelo rodoviário Paradiso 1350, modelo que já esteve presente na linha G6 e, agora, integra a G7. Segundo Amaral o projeto teve como linha-mestra o conforto dos passageiros e uma maior capacidade de carga. Assim recebeu um bagageiro mais amplo, porta-pacotes 20% maiores que a geração anterior, com 3,80 m², novo sanitário e novas poltronas.
“No começo do ano, com mudança na legislação, o setor de ônibus ganhou 1 tonelada a mais por eixo, o que permite novos desenvolvimentos”, lembra Corso. “Bem como a possibilidade de integrar mais equipamentos ao ônibus.”
MERCADO – Embora otimista com os lançamentos, Corso não esconde preocupação com as dificuldades do mercado. Só a Marcopolo registrou queda de 27% no acumulado do primeiro do semestre, com cerca de 3,5 mil unidades entregues. “Mas mesmo com o mercado caindo não perdemos participação, pelo contrário: ganhamos. No segmento de urbanos, onde historicamente temos fatia de 30% a 32%, fechamos o semestre com 38%.”
A Marcopolo ainda possui 60% do segmento de rodoviários e 25% no de micro-ônibus.
De acordo com Corso, as três fábricas no País – duas em Caxias do Sul [Ana Rech e Planalto] e uma no Rio de Janeiro – estão com a produção pelo menos 50% menor do que a capacidade. Em Ana Rech o ritmo corre a dezesseis ônibus por dia, quando pode montar 32 unidades. Em Planalto segue com doze, onde pode fazer trinta e, no Rio de Janeiro, faz catorze micro-ônibus a cada quatro dias em fábrica capaz de produzir quarenta unidades/dia. “A recuperação será lenta mas no fim das contas deve gerar oportunidades adiante, pois a frota estará mais envelhecida.”
O diretor de operações, no entanto, enxerga algumas oportunidades no curto prazo, como a recente abertura dos editais de licitação para o sistema de transporte público de Porto Alegre, RS, demanda que poderá gerar trezentos novos ônibus. Há ainda o desenrolar das novas regras de autorizações para as linhas interestaduais e internacionais, segmento no qual o setor deve investir R$ 800 milhões, segundo indicação da Abrati, Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros, e a variação cambial, que torna a oferecer competitividade ao produto nacional no comércio exterior.
“Os nossos preços ainda estão mais altos que os dos chineses, mas já dá para encarar novamente a concorrência externa.”
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