AutoData - Quando a economia domina e a política determina
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20/08/2015

Quando a economia domina e a política determina

Por Vicente Alessi, filho

- 20/08/2015

Letícia Costa, diretora da Prada Consultoria, aponta uma possibilidade na economia: a de que a inflexão rumo ao crescimento possa vir a acontecer, para o setor automotivo, em algum instante próximo ao segundo semestre do ano que vem. Mas que pode tomar uma outra forma, não a de retomada mas a de crise que simplesmente para de piorar. Ela aponta um risco político: o de a presidente da República ser mantida isolada, com poucos aliados no Congresso, como está hoje, até o fim de seu mandato. Para o setor automotivo, fabricantes de veículos e de autopeças, reservou recomendação: dediquem-se mais à reposição e à exportação.

Ela também reservou observações, durante palestra no Seminário AutoData Revisão das Perspectivas 2015, realizado na segunda-feira, 20, na Fecomercio, em São Paulo, para a indústria brasileira, independente de setor, sugerindo fortemente que se prepare – embora esteja muito atrasada nesse embate – para vencer a batalha pela competitividade por meio de todas as ferramentas disponíveis para se alcançar a produtividade a todo o custo.

Na primeira parte de sua exposição ela situou a crise brasileira diante do que acontece no mundo, como crises hídrica e energética – que só não é maior por causa da recessão –, preço do petróleo em baixa, crise na Grécia, China desacelerando seu crescimento. Logo a China, importante parceiro de negócios do Brasil. E criticou o governo pela fuga do cumprimento do superávit primário de suas contas e por sua forma de tratar as contas públicas.

“E aí a crise política teve a capacidade de amplificar a crise econômica, e 1,2% de superávit em 2015 é meta quase impossível. A consequência é a possibilidade da perda, pelo País, de seu grau de investimento, o que, certamente, afastará investimentos daqui, uma fuga do capital de que precisamos. Daí a importância de se perseguir aquela meta de 1,2%.”

A política desenvolvimentista adotada no primeiro mandato da presidente não fechou suas contas, e a crise política foi amplificada mais uma vez “com tanto disse e desdisse durante e pós campanha, que levou à perda de sua credibilidade junto à opinião pública e a uma dura realidade: neste instante nenhuma força política quer colar seu futuro ao dela”.

Junte-se, então, recessão, queda avaliada de 2% no PIB, inflação alta – que cobra as contas do passado recente –, desemprego em alta, taxa de juros idem: “É o preço da inflação durante o primeiro mandato, quatro anos tentando dribles sem enfrentá-la de verdade”.

Letícia Costa até acredita que a ansiada luz no fim do túnel possa surgir, em alguma dimensão, no curto prazo, “mas talvez seja mais realista acreditar no risco da situação piorar, um pouco mais que seja, antes de começar a melhorar”.

Em 2016 a inflação deve cair, ela acredita, quem sabe até rapidamente?, por causa dos ajustes, a taxa Selic também deverá baixar, e o PIB poderá chegar a crescimento de 0,5%. Tudo deverá estar melhor no segundo semestre do ano que vem, no começo de 2017 – mas até chegar lá teremos um segundo semestre difícil em função da questão política, de um Congresso arredio que força a presidente a vetar decisões em tese populares, justas, mas, neste instante, anti-ajuste.

Esta geléia geral desandada gera crise de confiança que é comum a empresários e a consumidores, é certo, em índices que superam os registrados na crise de 2008. Independente da efemeridade de mais uma crise, porém, Letícia Costa insiste naquela outra lição de casa, que é a batalha pela produtividade visando à competitividade, que são virtudes permanentes.


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