AutoData - Desterceirização na Ford ABC gera quinhentas vagas de trabalho
news
24/08/2015

Desterceirização na Ford ABC gera quinhentas vagas de trabalho

Por Marcos Rozen

- 24/08/2015

Em momento em que a indústria automotiva nacional convive com a ameaça de demissões, uma iniciativa negociada conjuntamente pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e pela Ford gerou quinhentas vagas de trabalho na unidade do Taboão, em São Bernardo do Campo. A montadora voltou a tomar para si a responsabilidade pelas operações logísticas, atividade que fora terceirizada.

De acordo com o sindicato, as vagas foram preenchidas tomando-se contingente que era considerado como excedente na unidade. Além de funcionários que retornaram de lay-off houve remanejamento interno, e passaram à logística trabalhadores que antes atuavam em áreas como  produção e funilaria. Também segundo o sindicato alguns funcionários que atuavam pela empresa terceirizada foram contratados pela montadora, mas os totais não foram revelados.

Procurada pela reportagem a Ford confirmou as informações do sindicato, mas não quis acrescentar outros comentários a respeito.

O processo de desterceirização do setor de logística na montadora é parte de acordo firmado com o sindicato em março, após quase cinco meses de conversas, e aprovado em assembleia pelos funcionários.

A negociação resultou em garantia de estabilidade de emprego até 2017, acerto dos índices de reajuste salarial até 2016, cálculos para a participação nos lucros e resultados, PLR, até 2017, abertura de PDV, Programa de Demissão Voluntária, para trabalhadores horistas e com restrição médica, além do desligamento de oitenta aposentados com os mesmos benefícios do PDV.

Na unidade do Taboão atualmente são produzidos a versão hatch do New Fiesta e a linha de caminhões da empresa.

Em fevereiro a Ford já tomara iniciativa semelhante na unidade de Camaçari, na Bahia, onde são produzidos EcoSport e novo Ka, desterceirizando as áreas de manutenção e logística.

No fim do mesmo mês a montadora afastou cerca de quatrocentos trabalhadores no ABC, por redução da demanda e consequentemente dos volumes de produção, utilizando-se de banco de horas – na ocasião a cadência na linha do New Fiesta caiu de 55 para 44 veículos por hora enquanto nas de caminhões a redução foi de 17 para 14 unidades/hora. E no início de maio a Ford adotou lay-off para outros 250 funcionários da unidade do Taboão – inicialmente previsto para durar até outubro –, além de conceder férias coletivas para os demais trabalhadores ligados à produção por onze dias.

Neste mês de julho houve nova paralisação na produção, ocorrida dos dias 13 a 17. Pouco antes, na última semana de junho, a fabricação de caminhões na planta também fora suspensa.

O sindicato tenta ainda acrescentar à lista de modelos produzidos no Taboão a carroceria sedã do New Fiesta, atualmente importada do México, e um modelo da linha de picapes, hoje concentrada na Argentina com a Ranger.

A situação ainda é tensa na unidade da Ford em Taubaté, que produz motores e transmissões. No início deste mês a fabricante anunciou férias coletivas para cerca de 1,2 mil funcionários – na fábrica de motores a parada vai do dia 13 a 31 e na de transmissões de 20 a 31.

Em Camaçari houve paralisação de 25 de maio a 4 de junho.

 


Whatsapp Logo