Em mais um claro sinal de que o governo federal decidiu rever sua política de benefícios à indústria, em particular a automotiva, o Banco do Brasil anunciou em conjunto com a Anfavea, a Fenabrave e o Sindipeças duas importantes iniciativas para a cadeia de veículos. O evento ocorreu, com a presença dos presidentes das três associações e do banco, em São Paulo na manhã da quarta-feira, 19.
A primeira diz respeito aos fabricantes de autopeças, em especial aqueles de pequeno porte, de Tier 2 para baixo. Graças ao acordo o banco vai receber de 26 ‘empresas-âncora’ – que são as montadoras e os sistemistas –, como chama a instituição, a programação de encomendas de peças para “determinado grupo de fornecedores”, não divulgado. Então o banco oferecerá a estes fornecedores antecipação imediata dos valores a receber por estes pedidos.
Na prática, assim, os fornecedores terão em caixa o valor do pagamento por peças que ainda nem produziram. O próprio pedido da montadora ou do sistemista será utilizado como garantia do empréstimo – no caso, da antecipação do pagamento. As taxas de juros, segundo o BB, serão negociadas caso a caso, dependendo do volume de pedidos e porte da empresa.
Pelos cálculos do banco apenas até o fim do ano esta operação, que até então inexistia desta forma específica e direta, com participação de Anfavea e Sindipeças, liberará recursos de R$ 3,1 bilhões aos fornecedores.
O BB assegura que para estes “a vantagem é ter acesso antecipado a recursos com melhores condições financeiras sem necessidade de recorrer a taxas mais elevadas no desconto de duplicatas ou no financiamento direto de capital de giro”.
O Sindipeças comemorou o acordo. Para seu presidente, Paulo Butori, o fôlego financeiro dará aos fornecedores condições de equilibrar o caixa e manter a produção e, consequentemente, os empregos. “Como diria Henry Ford, o trabalhador da indústria automotiva precisa ter condições de adquirir veículos. Se mantivermos o nível de emprego como está agora, manteremos o mercado no nível que está agora” – deixando claro que não espera que a iniciativa possa melhorar as coisas, mas apenas não piorá-las.
Pelos cálculos do Sindipeças a indústria de autopeças cortou cerca de 30 mil postos de trabalho apenas no primeiro semestre deste ano.
A Caixa também revelou iniciativa muito semelhante um dia antes, a terça-feira, 18. Para Luiz Moan, presidente da Anfavea, os dois bancos federais poderão “competir pelos clientes, tentando oferecer melhores condições”.
Caminhões e máquinas – A outra iniciativa do Banco do Brasil diz respeito à comercialização de caminhões e máquinas agrícolas no âmbito do Plano Safra. O banco pretende desburocratizar radicalmente o processo de concessão de financiamentos, que, pelos cálculos iniciais, cairia de 67 dias para apenas 14.
Pelo funcionamento previsto pelo novo sistema a própria concessionária funcionará como agência bancária. O cliente interessado negociará ali mesmo, direto com o vendedor, o plano e as taxas, além da entrega dos documentos. O comprador terá que se encaminhar a uma agência do Banco do Brasil apenas para assinar a papelada.
Todo o processo será realizado via internet, dentro de um ambiente desenvolvido especialmente para este fim, denominado Esteira Agro BB. Nele os pedidos serão simulados, processados, recebidos, gerenciados e, se for o caso, liberados.
O banco ainda terá um aplicativo que permitirá fazer o processo via smartphones e tablets. O lançamento do app ocorrerá na Expointer, em Esteio, RS, no fim deste mês.
Os recursos serão os disponíveis no novo Plano Safra e contemplarão ainda a aquisição de implementos agrícolas.
Para Moan, a principal vantagem é exatamente a forte redução do prazo para liberação do crédito e recebimento do veículo, “o que terá um impacto enorme no capital de giro da concessionária e também do cliente. Imagine o quanto significa esse capital parado por mais de cinquenta dias” – ele se refere à diferença do prazo atual para o estimado com o novo sistema.
Para entrar no programa a concessionária deverá fechar contrato com o BB para atuar como correspondente comercial. A expectativa da Fenabrave é que duzentas se inscrevam imediatamente e o volume chegue a 1 mil casas em pouco tempo.
Notícias Relacionadas
Últimas notícias