Os trabalhadores da Ford aprovaram, por unanimidade, cruzar os braços por tempo indeterminado em protesto às duzentas demissões que a montadora anunciou na quarta-feira, 9, na fábrica do Taboão, em São Bernardo do Campo, SP. Eles desejam que a companhia readmita os metalúrgicos demitidos e discuta a adoção do PPE, Programa de Proteção ao Emprego, na fábrica.
O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC indica que a greve seguirá até que a montadora abra negociações. Em entrevista à Agência AutoData o presidente Rafael Marques afirmou estar surpreso com a decisão da empresa. Segundo ele havia um acordo fechado em março que garantia estabilidade de emprego dos metalúrgicos até 2017.
Na ocasião foi aberto um PDV, que recebeu 230 adesões, e acertada a terceirização do setor de logística, para que a empresa reduzisse seu custo e mantivesse os empregos. Há um mês o PDV foi reaberto e mais 130 trabalhadores saíram com o acordo – a meta era 330 pessoas. A diferença veio com as demissões da quarta-feira, 9.
Em comunicado a Ford alegou estar adequando a produção à desaceleração da demanda automotiva. “Como parte desse esforço, a montadora está reduzindo sua força de trabalho na fábrica de São Bernardo do Campo”.
Marques afirmou que a empresa alega ter mais 280 trabalhadores em excesso e programa nova redução no ritmo de produção a partir de fevereiro do ano que vem – na fábrica do Taboão são produzidos caminhões e o New Fiesta hatch. Para ele o melhor caminho para resolver a situação é o PPE:
“Não dá para contradizer a empresa porque ninguém tem certeza de que a economia vai melhorar. Mas, se não quiseram discutir naturalmente, o farão por causa da greve. Caminhamos para a negociação de um PPE”.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC afirmou que cinco acordos já foram fechados na base do sindicato, que tem 87 mil trabalhadores – desde janeiro, afirmou, foram demitidos 5 mil metalúrgicos da base. Marques estima que até o fim do ano serão vinte os acordos de PPE, que abrangerão 50% dos trabalhadores representados pelo sindicato.
Um acordo que está em negociação há duas semanas é com a Volkswagen Anchieta, também em São Bernardo do Campo. Atualmente 2,6 mil trabalhadores estão em lay off e a tendência é que eles retornem, em novembro, já com jornada e salários reduzidos devido ao acordo. Mas o sindicato não tem pressa: há com a empresa acordo de estabilidade de emprego na fábrica até 2019.
Essa estabilidade começou em 2013 e iria até 2017, mas foi prorrogada porque no começo do ano a empresa chamou o sindicato para negociar novas condições. Na ocasião foi aberto um PDV que alcançou 790 adesões e foi estabelecida uma cláusula que previa a adoção do PPE caso o mecanismo fosse criado pelo governo.
Marques disse que a VW alega ter 2,6 mil trabalhadores em excesso – exatamente a quantidade que está em lay off – e crê que tudo caminha para um acordo de PPE. “Vamos negociar com calma. Mas podemos fechar algo antes mesmo do retorno do lay off”.
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