AutoData - Volkswagen admite fraude para obter certificação ecológica nos Estados Unidos
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21/10/2015

Volkswagen admite fraude para obter certificação ecológica nos Estados Unidos

Por Redação AutoData

- 21/10/2015

“Pessoalmente, lamento profundamente que tenhamos quebrado a confiança dos nossos clientes e do público”, afirmou, em nota oficial, Martin Winterkorn, CEO da Volkswagen AG, após o escândalo que assolou a companhia no fim da semana passada. A companhia alemã admitiu ter violado normas da agência dos Estados Unidos encarregada da proteção do meio ambiente – EPA, na sigla em inglês.

Em um relatório veiculado na sexta-feira, 18, a EPA acusou a montadora de enganar os inspetores que efetuaram testes de emissões em veículos da marca para obter certificados ambientais. De acordo com o órgão regulador a fabricante incluiu um software que desliga o controlador de emissões em milhares de veículos. Isto significa que, apesar de passarem nos testes, os carros da Volkswagen emitiam mais gases do que o estipulado por lei.

Segundo a EPA a montadora manipulou o software em cerca de 500 mil modelos movidos a diesel das marcas Volkswagen e Audi, que foram vendidos de 2008 a 2015 no mercado estadunidense. São versões com motor de quatro cilindros dos VW Jetta, Fusca, Golf e Passat e Audi A3. A agência afirmou que esses modelos emitem até 40 vezes mais substâncias contaminantes do que o permitido.

Ainda em nota o CEO da Volkswagen AG disse que leva as constatações da EPA “muito a sério”. “Iremos cooperar plenamente com as agências responsáveis, com transparência e urgência, de forma clara, para esclarecer completamente todos os fatos”, disse.

Winterkorn afirmou ainda que Volkswagen ordenou uma investigação externa sobre o assunto. “Faremos tudo que deve ser feito a fim de restabelecer a confiança que tantas pessoas depositaram em nós. Este assunto tem prioridade para mim, pessoalmente, e para todo nosso Conselho de Administração”.

Penalidade – A fraude detectada pela agência pode custar caro para a Volkswagen, além de arranhar a imagem da companhia. Apesar de nenhum processo ter sido instaurado até o momento, na busca por um acordo extrajudicial, a empresa alemã pode ter de pagar uma multa de até US$ 37,5 mil por veículo vendido. A conta chegaria a US$ 18 bilhões de dólares, cerca de R$ 71 bilhões – a indenização mais alta paga por uma empresa alemã nos Estados Unidos.

Apesar de as autoridades ainda não terem levado o caso à Justiça, um grupo de consumidores proprietários de veículos Volkswagen e Audi com motores a diesel entraram com um processo contra a montadora alemã em um tribunal federal na Califórnia, nos Estados Unidos. Eles acusam a companhia de falsa publicidade e de violação dos direitos do consumidor.

Uma reunião do Conselho da montadora na sexta-feira, 25, deve discutir uma nova estrutura para a empresa e um alinhamento da administração. Enquanto isso, as ações da Volkswagen registraram sua maior queda diária na Bolsa de Frankfurt, na Alemanha, com recuo de 17,1%.

Na imprensa alemã o episódio é tratado como “desastre” e “hecatombe” e há questionamentos sobre a permanência de Martin Winterkorn como CEO da Volkswagen AG.


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