Assim como os aplicativos utilizados em smartphones para tornar o carro cada vez mais conectado, uma nova geração de produtos de pós-venda vai ajudar os motoristas ávidos por tecnologias a reduzir acidentes e custos com seguros, além de economizar combustível e planejar rotas de forma mais eficaz.
Veículos em geral, como carros, caminhões e ônibus, se tornaram plataformas de informática móvel, e a transformação da tecnologia neles envolvida está se acelerando. Até 2020 todos os veículos novos estarão conectados à internet – e entre si – via sistema wi-fi. Estudos do departamento de transportes dos Estados Unidos estimam que as tecnologias de carros conectados podem reduzir em até 80% o número de colisões.
Para as empresas a riqueza sem precedentes de dados de carros conectados é um recurso valioso que pode ajudar os motoristas a economizar em combustível e seguro e a melhorar suas habilidades de direção. A plataforma DriveSync, desenvolvida pela Intelligent Mechatronic Systems, IMS, empresa com sede em Waterloo, na província de Ontário, no Canadá, pode coletar dados por meio de sistemas instalados pela montadora, de dispositivos de pós-venda ou até mesmo aplicativos para smartphones.
Estas informações, então, são analisadas em tempo real e podem ser usadas como uma ferramenta de treinamento para jovens motoristas melhorarem suas habilidades, ou como um sistema de gestão de frotas que ajude os operadores comerciais a reduzir o consumo de combustível – os dados também podem reduzir os custos com seguros. Já existem várias seguradoras da América do Norte que oferecem apólices mais baratas para motoristas que instalam o DriveSync e compartilham seus dados.
A velocidade de aceitação do consumidor e a demanda por tecnologias cada vez mais conectadas à internet surpreendem até mesmo alguns veteranos da indústria automotiva. A alta tecnologia tornou-se um diferencial de produto no mercado automotivo, ferozmente competitivo.
Outro exemplo interessante vem da Weather Telematics, empresa que também está sediada em Ontário e que utiliza ciência meteorológica avançada: combinando dados em tempo real de sensores de um veículo com informações atualizadas a cada minuto relacionadas com o clima, elaboradas a partir de uma variedade de fontes da internet, pode fornecer aos motoristas dados precisos sobre as condições climáticas imediatas das estradas à frente. E não são previsões do tipo ‘há 40% de chance de chuva em sua região’ ou algo semelhante, mas sim informações precisas quanto às condições específicas que o motorista irá enfrentar naquela estrada em particular, no quilômetro seguinte ou por meio de uma rota especial programada no sistema de GPS.
Considerando que somente nos Estados Unidos condições meteorológicas adversas – chuva, neblina, neve – contribuem para a ocorrência de dez mil mortes a cada ano nas estradas, e que os congestionamentos colaboram para o desperdício de quase 11 bilhões de litros de gasolina por ano, uma tecnologia deste tipo pode salvar vidas ao mesmo tempo em que gera importante papel na redução das emissões de gases poluentes.
O mercado crescente para a próxima geração de tecnologias automotivas está atraindo mais empresas para esta indústria. Ontário é uma das poucas jurisdições no mundo com clusters de classe mundial na produção automotiva e tecnologia da informação, e ali já se reúnem cerca de cem empresas envolvidas diretamente em desenvolvimento de tecnologias de carros conectados.
E essa é uma ótima notícia. O número de veículos nas estradas de todo o mundo deverá dobrar até 2035, saltando de 1 bilhão para 2 bilhões. Quaisquer tecnologias que possam tornar nossas estradas mais seguras e ao mesmo tempo reduzir as emissões de poluentes devem ser recebidas de braços abertos.
Todd Barrett é cônsul comercial de Ontário, Canadá, no Brasil. Em janeiro deste ano a província começou oficialmente a testar veículos autônomos em suas estradas.
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