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13/05/2016

MAN deixa os ajustes no passado

Por Márcio Stéfani

- 13/05/2016

A MAN entende que a atual crise vivida desde 2014 pelo mercado brasileiro de caminhões e ônibus já atingiu seu ponto máximo e, com base neste raciocínio, após toda uma série de ajustes realizados em sua estrutura ao longo dos dois últimos anos, está pronta para dar início a uma nova fase de crescimento no Brasil.

“Sabemos que o momento atual é grave e que a indústria de veículos comerciais está vivendo talvez a sua pior crise local”, disse Roberto Cortes, presidente da MAN Latin America, em coletiva para a imprensa realizada na quarta-feira, 13, em São Paulo.  “Mas como já promovemos todos os ajustes necessários para nos adaptarmos à  este novo momento, queremos renovar nosso compromisso com o Brasil e virar a chave para retomar nosso crescimento.”

Este slogan “vire a chave”, por sinal, está sendo utilizado pela montadora numa ampla campanha interna de otimismo que começou primeiramente entre os colaboradores da empresa e já se estendeu para os fornecedores, rede de concessionários e importadores. O próximo passo é levar a campanha para o ambiente externo, ou seja, para os clientes da marca.

Dentre as medidas corretivas que ocorreram nos dois últimos anos estão o ajuste da fábrica, que passou a operar com um turno de trabalho em quatro dias por semana e, assim, redimensionando sua linha para a nova realidade do mercado, a reestruturação de toda a empresa, adaptando-a para o novo nível do negócio e a adoção do conceito budget zero em todas as áreas, com todas as despesas tendo que ser discutidas e aprovadas uma a uma.

“Estamos preparados para os novos desafios”, afirmou Cortes. “Temos uma nova geração de executivos e vamos atuar com novos produtos e em novos segmentos do mercado. Nosso objetivo é fazer mais com menos, com maior agilidade, processos mais inteligentes e com maior cooperação e foco.”

Cortes concorda com a previsão da Anfavea de que as vendas de caminhões e ônibus deverão ser de aproximadamente 70 mil unidades neste ano no Brasil. Com as exportações, isto significará uma produção local de mais ou menos 100 mil unidades. “Infelizmente nossos volumes retrocederam para o século passado e, numa comparação direta com 2011, quando tivemos nosso melhor ano, o mercado brasileiro encolheu quase 70%”.

Segundo Cortes, a acentuada retração representa um grave problema, pois os investimentos realizados nos últimos anos elevou a capacidade industrial instalada para 440 mil unidades anuais entre caminhões e ônibus. “Incluindo os veículos que são destinados à exportação, operamos hoje com uma ociosidade média de 80%, situação esta que, infelizmente, é muito difícil de ser administrada.”

O presidente da MAN fez questão, no entanto, de reiterar sua crença no futuro. “O Brasil ainda tem os fundamentos econômicos fortes. Temos boas reservas monetárias, inflação controlada, câmbio livre e consciência que precisa reduzir o déficit. Vivemos hoje basicamente uma crise de confiança muito forte que, se vencida, fará com que o mercado retorne ao seu nível normal rapidamente”.

Com base neste raciocínio, a MAN confirmou que a manutenção de R$ 400 milhões de investimentos no Brasil até 2017, na verdade a parte final do R$ 1 bilhão anunciado em 2012. “É óbvio que não iremos mais investir em aumento de capacidade produtiva. Mas seguimos trabalhando em novos produtos, na nova pista de testes e no novo dinamômetro que estão prestes a entrar em operação na fábrica de Resende e no novo centro de treinamento para a rede e clientes em construção em São Bernardo do Campo, SP”.


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