Stefan Ketter, presidente da FCA na América Latina, assegura: no transcorrer dos próximos doze meses o Fiat Mobi já terá papel relevante nas exportações da operação brasileira. Embora não precise datas nem países, o executivo diz que o compacto estará nas ruas de diversos mercados latino-americanos até lá, incluídos naturalmente o argentino e até mesmo o mexicano.
A Fiat calcula que algo como 30% da produção do Mobi deva seguir para outros países no futuro. Os embarques começarão de forma gradual, culminando com as exportações para o México, para onde a empresa já envia Uno e Palio, além de picape Strada, vendida lá com a marca Ram, e o Grand Siena, ali negociado como Dodge Vision.
No ano passado a FCA exportou 60,5 mil veículos, cerca de 13% do que produziu no País. O número representa forte recuperação com relação a 2014, quando foram embarcados somente 43,5 mil veículos. Ketter, contudo, não fala em números para 2016 – lembra a apenas que a retomada mais vigorosa das exportações depende de estabilidade econômica e, sobretudo, de competitividade, condições que garantam sustentabilidade dos negócios lá fora.
“O oportunismo tem pavio curto, gera demandas não estruturadas. É preciso crescer naturalmente. Não dá para virar a chave somente quando o mercado interno não está bem”, diz o executivo, que reconhece estudos para aumentar o leque de destinos dos produtos fabricados em Betim, MG, e Goiana, PE.
Um deles aponta para os países do Nafta, potencial mercado para a picape Toro, modelo que compartilha a plataforma com o Jeep Renegade e que já atenderia em boa parte a legislação local. “Mas ainda são estudos estratégicos, não efetivos. Assim como estamos avaliando o envio do Renegade para alguns mercados africanos, já que a demanda pelo modelo europeu tem sido grande.”
De qualquer forma, lembra o presidente da FCA, a empresa está se estruturando para recuperar parte do protagonismo que deteve nas exportações de veículos em seus 40 anos de Brasil – em 1994 mandou para fora mais de 191 mil veículos, recorde absoluto até hoje. “Não estaríamos considerando esses mercados se não tivéssemos, por exemplo, construído a planta de Goiana”, recorda Ketter, que lamenta a falta de acordos comerciais do Brasil com outros países.
Um número mais significativo de veículos exportados seria natural alternativa para o mercado interno retraído. Ketter acredita que as vendas internas não devam ultrapassar os dois milhões de veículos este ano. Mas não desanima:
“O Brasil voltará a ser um dos maiores mercados automobilísticos do mundo, tenho certeza. Só não sei quando. Mas pode ser de maneira muito rápida, porque está sendo criada uma demanda reprimida”.
Tanto que a empresa não alterou uma vírgula sua estratégia para a região, diz o executivo. “Não desaceleramos nada.”
A FCA seguirá com seu plano de negócios definido para até 2018. Haverá um novo lançamento a cada semestre até lá, reafirma o executivo – a maioria para renovar toda a gama Fiat no Brasil. Mas um dos modelos será importado da Argentina. Sua produção exclusiva em Córdoba foi confirmada por Ketter para meados de 2017.
“Digo que com o Toro e o Mobi já mudamos as pontas. Agora falta mudar o recheio desse sanduíche”, conclui o presidente da FCA.
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