Com o encerramento do primeiro trimestre a indústria de ônibus se debruça sobre planilhas para rever as estimativas para a produção, vendas e exportação em 2016. A situação dos primeiros três meses ficou pior do que imaginavam os executivos no mercado doméstico e no ritmo das fábricas e só há alguma esperança de melhora nas exportações, embora sem perspectiva de crescimento suficiente para compensar o declínio interno.
Em palestra durante o Workshop AutoData Ônibus, na segunda-feira, 18, no Milenium Centro de Convenções, em São Paulo, SP, o vice-presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, admitiu que a associação revisará os números em breve. “O desempenho do trimestre indica que o resultado será pior do que o que projetamos. Estamos passando pela maior crise da história da indústria de veículos comerciais no Brasil”.
Segundo Moraes o setor já passou por outras crises no mercado nacional, mas nenhuma foi ao mesmo tempo tão intensa e prolongada.
Ao fim do ano passado a Anfavea projetou queda de 16% nas vendas domésticas, para 14,1 mil chassis. A produção sofreria uma redução de 17%, para 21,3 mil unidades, enquanto as exportações cederiam 36%, para 7,2 mil unidades.
“Nas exportações há um viés de alta: as equipes estão fazendo as malas e pegando avião para as diversas partes do mundo, América, África ou Oriente Médio, em busca de novos negócios. Mas não é tão simples assim e enfrentamos forte concorrência dos chineses”.
Pesa a favor do Brasil a expertise na produção de chassis. O país é, segundo Moraes, o quarto principal fabricante de ônibus do mundo, embora tenha encerrado o trimestre com elevada ociosidade, na casa dos 80%.
Por outro lado o desempenho doméstico deverá ficar bem abaixo das projeções da associação. Moraes acredita em ritmo semelhante ao do primeiro trimestre no decorrer do ano, o que projetaria um mercado na casa das 11 mil unidades – no ano passado foram comercializados 16,8 mil chassis.
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